domingo, 19 de março de 2017

Míni catástrofe e alagamentos atingem Caraguá. As autoridades sabiam disso...

Morro de Santo Antonio
foto que circula na internet
Uma forte chuva caiu sobre Caraguatatuba na noite do dia 15 de março de 2017, quarta-feira passada. Foi um aguaceiro pesado, com raios e trovões, e medo.

Houve alagamentos, escorregamentos de encostas que bloquearam o trânsito na Rodovia dos Tamoios, queda de barreiras que marcaram morros e deixaram uma enorme cicatriz no Morro de Santo Antonio, logo abaixo da rampa-leste de onde saltam de asas delta. Houve 78 pessoas desabrigadas e nenhuma vítima fatal a se lamentar. Mais de uma dezena de bairros ficaram alagados, inclusive diversos pontos do centro da cidade e bairros próximos, destruindo móveis e utensílios dos moradores.

Isso tudo, sem contar o pavor das pessoas, já que se tem em mente as tristes lembranças de 18 de março de 1967, quando a cidade sucumbiu a um dos piores desastres ambientais de sua história, que matou mais de mil pessoas extraoficialmente, e que agora –pasmem!– está sendo objeto de comemorações, já que o desastre contou 50 anos no dia de ontem, 18 de março, um sábado, como sábado era o dia da semana em 67.

Tudo isso era esperado? Sim, era esperado.

Não só porque fenômenos naturais desastrosos costumam acontecer de quando em quando, mas também porque diversas obras impermeabilizando o solo foram feitas sem atinarem para o risco de alagamentos.

A cidade, que possui um lençol freático à flor do solo, recomenda-se que seja pavimentada com bloquetes e jamais com camadas asfálticas, que impedem a passagem das águas para o subsolo. Além disso, córregos que servem à dispersão das águas de chuva, como o da avenida Brasil, no bairro Ipiranga, foram “encaixotados”, isto é, revestidos de concreto em suas margens laterais e no fundo do seu leito, igualmente impedindo as águas de fluírem para o solo.

foto que circula na internet
Todos sabem disso, do doutor ao mísero roceiro ou morador de rua. Ainda assim, os “responsáveis” não tiveram o devido cuidado que outras pessoas, por simples que fossem, teriam. Fizeram-se de surdos ao fato de que os desastres se repetem, ainda com mais intensidade num município como Caraguá, a três metros acima do nível do mar.

Foi muito triste constatar cidade tomada de lama amarelada na quinta-feira, notícia de pessoas desabrigadas, bairros inteiros inundados, ver aquela enorme cicatriz que ficou estampada perto da rampa do Santo Antônio, de cima abaixo, como um aviso, ou presságio, e que assim deverá permanecer pelo menos pelos próximos cinquenta anos, de que se deve respeitar a natureza e principalmente demonstrar menos ganância e mesquinharia ao cuidar da pavimentação pública.

É hora de acordar e ter responsabilidade, sob pena de os problemas com enchentes se repetirem por ocasião de chuvas mais fortes e se agravarem, pois não será preciso uma intensidade tão grande de precipitação pluviométrica, como a de quarta-feira, para que as pessoas entrem em pânico e experimentemos o caos. É preciso desfazer o que nunca devia ter sido feito. É preciso retirar o asfalto das ruas, colocando bloquetes em seu lugar. E, ainda, escavar todo o concreto colocado no fundo de córregos, facilitando a infiltração ao solo.

Luís Eduardo de Souza, por e-mail


O Caraguablog há havia abordado o assunto

Em 23 de janeiro de 2011 –portanto, há seis anos– o Caraguablog publicou matéria alertando as autoridades para o fato de que as catástrofes se repetem, conclamando a que as autoridades estivessem sempre alerta. A matéria do Caraguablog era um contraponto aos estudos da geógrafa Kátia Canil, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, o IPT, no sentido de que o Litoral Norte Paulista apresenta grandes riscos de sofrer um desastre natural semelhante ao ocorrido em 1967 em Caraguatatuba.

Na época, o Caraguablog considerou que a geógrafa concluiu o óbvio, pois não era necessário ser nenhum técnico de um órgão qualquer dito oficial para se saber que os eventos naturais se repetem de tempos  em tempos, exatamente por serem “eventos naturais”. Este blog ainda citou os três eventos desastrosos já oficialmente registrados só em Caraguatatuba: um gravíssimo ocorrido em 21 de fevereiro de 1859, outro de igual magnitude em 20 de janeiro de 1944 e agora a “festejada” catástrofe de 1967. Os estragos de quarta-feira podem ser fichinha perto do que de fato pode vir a acontecer, e que não podemos evitar, apenas mitigar seus efeitos.

A matéria do Caraguablog, na ocasião, concluiu: a técnica do IPT falou o óbvio. E, por ser o óbvio, ela tem razão: a catástrofe de 1967 pode se repetir, sim...



Veja a matéria do Caraguablog publicada em 23 de janeiro de 2011:

A catástrofe de 1967 pode se repetir em Caraguá

O Jornal Imprensa Livre deste sábado (22/01/11) trouxe em manchete “IPT alerta: enxurrada ocorrida em Caraguá há 43 anos pode se repetir”.

foto: blog do Estadão
Usou o termo “enxurrada”, certamente pequeno demais em sentido para identificar uma catástrofe que oficialmente ceifou centenas de vidas e extra-oficialmente mais de mil delas.
O fato é que a geógrafa Kátia Canil, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, o IPT, confirmou que o Litoral Norte Paulista apresenta riscos de sofrer um desastre natural semelhante ao ocorrido em 1967 em Caraguatatuba.

“Segundo a técnica do IPT, a enxurrada que devastou Caraguá ocorreu há quase 50 anos e as possibilidades do evento de repetir são grandes”, menciona o jornal.

Disse o óbvio. Não é necessário ser nenhum técnico de um órgão qualquer para saber que os eventos naturais se repetem de quando em quando, exatamente por serem “eventos naturais”.

Não se fala aqui em aumento da temperatura global e outros chavões mais costurados por técnicos que querem atribuir tudo é que desgraça ao descontrole da ação humana.

Claro que a irresponsabilidade do homem no manejo da natureza piora as coisas, agrava conseqüências, mas não determina a ocorrência de desastres ecológicos aqui ou acolá.

Assim fosse, teríamos acontecimentos desta natureza apenas a partir do momento em que se identificou o “el niño” e a elevação do aquecimento do planeta. Não seria assim? Ou, pelo menos, não seria lógico assim pensar? No entanto, as desgraças naturais, ocorrências que destroem e matam, têm ocorrido ao longo dos séculos e faz parte da própria história humana.

A catástrofe de 1967 é citada porque está viva em nossas memórias. Mas Caraguatatuba já experimentou outras de igual ou talvez maior magnitude. Como na época não havia a presença maciça da mídia para espalhar o pânico e alardear as desgraças pessoais, tudo ficou no esquecimento. Também, naquela época, poucos moradores tinha a cidade e insignificante foi o número dos que perderam suas casas, familiares e a própria vida.

A título de exemplo, lembramos que a história de Caraguatatuba mostra que os fenômenos climáticos costumam se repetir ao longo das décadas, provocando estragos e inundações devastadores, para usar termo bem em voga.

Um ofício do presidente da Província, datado de 21 de fevereiro de 1859, por exemplo, registra o desespero de quem tinha o dever de cuidar de Caraguatatuba na época. Veja apenas este trecho e tire suas conclusões:

 “...devido aos repetidos temporais de pesadas chuvas, que há mais de um mês desaba em todo o município, em especial um que houve no dia 20 de janeiro, que por um pouco não arrasa Caraguatatuba...

Vale lembrar que fato semelhante se repetiu em 1944 e foi igualmente avassalador.

A técnica do IPT falou o óbvio. E, por ser o óbvio, ela tem razão: a catástrofe de 1967 pode se repetir, sim...
blog de Caraguá - k

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