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sábado, 1 de agosto de 2015

Notícia da venda do Morro da Prainha causa especulações



O jornal Expressão Caiçara desta semana (saiu na quinta-feira, 30/7) trouxe em sua última página um anúncio emblemático, que despertou a atenção das pessoas pelo inusitado do seu conteúdo.

Trata-se de uma venda milionária envolvendo o Morro da Prainha (ou do Camaroeiro), aquele que fica no Canto do Camaroeiro e onde operava uma pedreira em meados dos anos sessentas. O local é paradisíaco e se presta a inúmeros tipos de empreendimentos de alto luxo, como hotéis e até mesmo cassinos, conforme se cogitou na cidade em 2006 ou 2007.

Na época, falava-se na liberação dos jogos de há muito proibidos no Brasil –para ser exato, desde 1946–, pois tramitava um projeto neste sentido no Congresso Nacional. Acabou não dando em nada e o assunto logo caiu no esquecimento.

A notícia, agora, do interesse do proprietário em vender o morro trouxe especulações sobre o assunto, reacendendo discussões, e foi motivo de palpites os mais curiosos, pois as pessoas também veem na retirada de terra de parte desse mesmo morro, pela prefeitura de Caraguá, após um processo de desapropriação, como algo “deflagrador” do interesse de venda. (Veja matéria do desmonte do morro publicada neste blog em 24 jun 2015)

Com um total de 99.944,00 metros quadrados de área alodial (área livre), mais 36.996,15 metros quadrados de área de marinha, o Morro tem ao todo 136.940,65 metros quadrados. O dono estimou em R$ 350,00 reais o metro, o que daria o total de R$ 47.929.227,50. Algo considerável e certamente único na cidade em termos de valores absolutos.

O anúncio é assinado por Aluísio Ribeiro de Lima, que deixa seu telefone celular para o contato de eventuais interessados.

As especulações são muitas e por vezes até sem nexo algum, mas as conversas sempre deixam no ar algumas perguntas: por que querem vender o Morro da Prainha? Que conversas de bastidores precederam essa decisão de vender? Haverá quem tenha disponível tamanho numerário para a compra? Quem será o corretor sortudo que irá mordiscar os R$ 2.875.753,65 a título de comissão?

Afinal, quem é o vendedor da área?

Aluísio Ribeiro de Lima, que assina a publicação do anúncio e oficialmente quem pôs à venda o Morro da Prainha, é filho do ex-deputado estadual Altimar Ribeiro de Lima, falecido em 26 de maio de 2009 depois de ter sido por três legislaturas vereador em São Paulo e também por três legislaturas deputado com assento na Assembleia Legislativa Estadual.

Por sua vez, Altimar era filho de Diógenes Ribeiro de Lima, que também foi por duas vezes vereador na capital do Estado e Deputado Estadual por uma legislatura. Formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, publicou vários trabalhos jurídicos. Atuou ainda como suplente de juiz federal em São Paulo, juiz de Paz e delegado de polícia e como membro do Congresso do Ministério Público. Seu nome foi dado à conhecida praça da praia, em Caraguá, em reconhecimento aos serviços prestado à cidade, creditando-se a ele a transformação de Caraguá em estância balneária, em 1947.

A importância da família Ribeiro de Lima no contexto da cidade

Diógenes Ribeiro de Lima - Professor e um dos políticos mais envolvidos com Caraguatatuba. Como deputado, ajudou e muito Caraguatatuba. Não é a toa que seu nome foi concedido a uma das principais praças de nossa a cidade, a praça da Secretaria de Turismo, em frente a praia central. Diógenes nasceu em São Paulo, em 12 de abril de 1896. Formou-se professor pela Escola Normal Caetano de Campos em 1916.

Em 1920 pegou um barco em Santos para vir até Caraguá, na época, não havia acesso por terra até a cidade, onde foi dar aulas nas Escolas Reunidas de Caraguatatuba (onde hoje funciona o Museu Adaly Coelho Passos). Em nossa cidade namorou a professora Alice Leite. Casou com ela, tendo como padrinhos Teotino Tibiriçá Pimenta e Luiz Passos Júnior.

Foi proprietário de uma casa antiga na avenida Arthur Costa Filho, que foi demolida e, atualmente, serve como estacionamento. Como professor trabalhou também nas cidades de Monte Azul e Bariri. Formou-se advogado em 1924 pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP). Publicou vários trabalhos jurídicos. Atuou ainda como suplente de juiz federal em São Paulo (1925), juiz de Paz e delegado de polícia (1924 e 1925) e como membro do Congresso do Ministério Público.

Vida Política - Diógenes foi vereador em São Paulo por dois mandatos, de 1926 a 1930. Participou da Revolução de 1932, como subcomandante do Batalhão Bahia. Elegeu-se deputado estadual em 1935, quando participou da Constituição de 1935. Como deputado foi um dos políticos que mais ajudou Caraguatatuba.

Foi graças a ele que a cidade melhorou e muito a sua infraestrutura física. Poucos sabem, a tradicional mureta da avenida da praia do centro (removida em 2000, quando o prefeito Antonio Carlos remodelou e duplicou a avenida) foi feita por iniciativa de Diógenes. Como deputado ele transformou a cidade, de fato, em uma estância balneária. Abaixo o decreto que transformou a cidade em estância balneária, de 1947, por iniciativa do então deputado Diógenes Ribeiro de Lima.
Transcrito do Blog do Salim Burihan, em :

Altimar Ribeiro de Lima - Nasceu na cidade de São Paulo, em 31/05/1924, filho de Diógenes Ribeiro de Lima (ex-deputado estadual e presidente da Alesp) e Alice Leite Lima. Faleceu no dia 26 de maio de 2009, no Hospital TotalCor, na Capital, de broncopneumonia com fibrilação atrial. Velado no salão nobre da Assembleia, seu corpo foi sepultado no cemitério da Consolação.

Formou-se em Engenharia na Universidade Mackenzie, antes de ser eleito.

Elegeu-se três vezes vereador pela Câmara Municipal de São Paulo, em 1948, ainda muito jovem, aos 24 anos, com 1.603 votos, pelo Partido Social Progressista (PSP). Em 1952, reelegeu-se vereador com 5.984 votos, também pelo PSP; e, em 1956, com 7.544 votos pela mesma legenda. Licenciou-se duas vezes: de 4/2/1955 até 21/6/1955, e de 25/9/1957 a 6/8/1958, para ocupar o cargo de secretário municipal de Obras.

Em 11/3/1959 renunciou ao mandato de vereador por ter sido eleito deputado estadual, pelo PSP, com 14.708 votos.

Foi deputado estadual por três legislaturas consecutivas: 4ª legislatura (1959/63), quando obteve 14.708 votos, concorrendo pelo PSP, partido dirigido por Adhemar de Barros; foi reeleito para a 5ª legislatura (1963/67), pelo PTB, partido do então presidente João Goulart, alcançando 10.951 votos.

O deputado Altimar Ribeiro de Lima participou das festividades de transferência do prédio da Assembleia Legislativa, do parque D. Pedro 2ª, para o novo edifício no parque do Ibirapuera, em 25 de janeiro de 1968, sendo reeleito novamente para o terceiro mandato, à 6ª legislatura (1967/71), concorrendo pela Arena, partido que apoiava o governo militar, alcançando a sua mais expressiva votação: 16.142 votos, nessa legislatura foi testemunha do fechamento da Assembleia Legislativa, por um ano e meio, com base no Ato Institucional (AI) nº 5/1968, pelo qual foram cassados 25 parlamentares.

Teve quatro filhos com sua primeira esposa, Sra. Lieselotti Ribeiro de Lima: Teresa Cristina Ribeiro de Lima, Altimar Augusto Ribeiro de Lima, Luiz Carlos Ribeiro de Lima e Aluisio Ribeiro de Lima. Com sua morte deixou três filhos, tendo em vista que sua filha Teresa já havia falecido, e nove netos. Casou-se pela segunda vez com a Sra. Cecy Stella Fagá, união de 24 anos, sem filhos.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sexo, poligamia e homossexualidade entre os índios Tupinambás do século XV


Fonte: http://ronaldoluisbispo.blogspot.com.br/
Em maio de 2012, o Caraguablog publicou o texto abaixo, dando alguma informação sobre quem foi Hans Staden, que empresta seu nome a uma importante via pública de Ubatuba.

Por aquela época (meados de 1500), os índios Tupinambás andavam por aqui – Caraguá, Ubatuba, São Sebastião, Ilhabela – e seus domínios iam do Rio Juqueriquerê, no Bairro Porto Novo, em Caraguatatuba, até o Estado do Espírito Santo, tendo em Ubatuba a sua sede. Eram amigos dos franceses, em guerra contra os portugueses. Os domínios dos índios Guaianases, por sua vez, protegidos pelos lusitanos, iam do Juqueriquerê até a região de Santos.

Hoje, vendo o trabalho de Gerivaldo Neiva, que fala sobre as práticas sexuais dos índios que habitavam este litoral, achamos interessante reproduzir o texto do Caraguablog e ainda incluir as novas informações a respeito da sexualidade indígena. É interessante. Vale a pena conferir.

O guerreiro alemão

Hans Staden foi um aventureiro alemão que em 1550, depois de naufragar próximo de São Vicente, caiu prisioneiro dos índios Tupinambás (Tamoios), temíveis guerreiros e injustamente considerados canibais (comiam os inimigos em extravasão de ódio e não para saciar a fome), que habitavam esta região.

Trazido a Ubatuba para ser devorado, acabou lutando bravamente ao lado dos Tupinambás contra os Guaianases e tratado como animal de estimação pelos seus captores, tendo inclusive mudado de "dono".

Pediu ajuda a um navio português e a outro francês, que a recusaram por não desejarem conflito com os índios. Foi, enfim, resgatado por um navio corsário francês depois de mais de nove meses de cativeiro.

Escreveu um livro a respeito. Sua história foi tema de filme, em 1999, dirigido por Luiz Alberto Gal Pereira e rodado em Ubatuba.



Sexo, poligamia e homossexualidade entre os índios Tupinambás do século XV


por Gerivaldo Neiva (www.jusbrasil.com.br)
O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu
O nosso amor a gente inventa.
(Letra de Cazuza, João Rebouças e Rogério Meanda)

No capítulo anterior, relatei sobre como os índios Tupinambás do século XVI fabricavam uma bebida chamada cauim e se embebedavam em grandes festas, que podia durar alguns dias.

Na introdução desse texto, observei: “Os primeiros relatos sobre os povos indígenas que habitavam o território que viria a se chamar Brasil, como não poderia deixar de ser, foram elaborados por brancos invasores e colonizadores. Evidentemente que tais relatos são carregados dos preconceitos e da poderosíssima moral católica que dominava a Europa no século XVI. [...] Logo, a leitura desses clássicos precisa de aguçada visão crítica, pois os olhos de quem escrevia sobre os índios que aqui habitavam viam tudo sob a ótica e paradigmas da sua cultura europeia, de seus costumes, crenças, religião, cultura etc. Um grande desconto, por assim dizer, há de ser dado.”

Enfim, para se falar sobre sexo entre os Tupinambás do século XVI, nosso olhar crítico precisa estar mais aguçado ainda, vez que a moral católica e a doutrina do “pecado original” jamais aceitariam como “natural” a nudez dos índios ou que praticassem a poligamia e homossexualidade. Aliás, discutia-se até se os índios tinham alma! O desconto, neste caso, portanto, há de ser bem mais generoso. As fontes são as mesmas: Hans Staden (1557), Jean de Léry (1578) e Gabriel Soares de Sousa (1587).

A poligamia

Segundo Hans Staden, no relato editado na Europa em 1557, a maioria dos Tupinambás tinham apenas uma mulher, “mas alguns dos chefes tem treze ou quatorze” e a primeira delas é como se fosse a chefe entre elas. Ainda segundo Staden, “As mulheres se entendem bem entre si. Entre os selvagens é comum que um homem dê a outro sua mulher de presente, quando se cansa dela. Também acontece de um homem dar de presente a outro homem uma filha ou irmã”. É como se as mulheres, portanto, fossem mero objeto de uso e os homens fossem seus donos.” [1]

De acordo com outro visitante ilustre dessas terras, poucos anos depois, Jean de Léry, “com relação ao casamento dos nossos americanos (referindo-se aos Tupinambás), eles observam apenas três graus de parentesco; ninguém toma por esposa a própria mãe, a irmã ou a filha, mas o tio casa com a sobrinha e em todos os demais graus de parentesco não existe impedimento”. Em seu relato, Léry afirma ter visto índios com oito mulheres e demonstrou admiração pelo fato de viverem em harmonia e sem ciúmes, ocupadas em tecer redes, limpar hortas e plantar raízes. Por fim, comparando com o regime monogâmico da cultura católica europeia da época, Léry afirma que se o homem europeu fosse se submeter a tal prática, melhor seria condená-lo às galés “do que metê-lo no meio de tanta intriga e ciumeira”. Aqui, o europeu é tão machista quanto o Tupinambá: o grave não era transformar a mulher em objeto, mas a intriga e ciúme que o homem seria “vítima” com a posse de várias mulheres.[2]

Muitos anos depois, em 1587, quando os Tupinambás já tinham sofrido as influências e violências dos brancos invasores, Gabriel Soares de Sousa, no Tratado Descritivo do Brasil, também relatou sobre os costumes sexuais dos Tupinambás. Segundo este autor, os Tupinambás eram, de fato, poligâmicos, e aquele que tivesse mais mulheres “se tem por mais amado e estimado”. Da mesma forma que outros relataram, também Gabriel Soares de Sousa confirma que a primeira mulher exercia um papel preponderante sobre as demais, embora relate a existência de ciúmes da primeira, por ser geralmente a mais velha. [3]

Em relato semelhante aos demais autores pesquisados, Gabriel Soares de Sousa traz informações sobre o comportamento muitas vezes violento dos homens em caso de traição das mulheres, mas acrescenta a informação de que as próprias mulheres criavam a oportunidade para que seus homens se deitassem com outras mulheres mais jovens: “Os machos desses Tupinambás não são ciosos; e ainda que achem outrem com as mulheres, não matam a ninguém por isso, e quando muito espancam as mulheres pelo caso. E as que querem bem aos maridos, pelos contentarem, buscam-lhes moças com que eles se desenfadem, as quais lhes levam à rede onde dormem, onde lhes pedem muito que se queiram deitar com os maridos, e as peitam para isso; coisa que não faz nenhuma nação de gente, senão esses bárbaros”. (op. Cit. P. 309).

Enfim, a síntese das três fontes pesquisadas (Staden, Léry e Sousa) não deixam dúvidas sobre o comportamento poligâmico dos Tupinambás, a prevalência da mulher mais velha sobre as mais jovens, o ciúme do homem e, por fim, segundo a informação de Sousa, a própria mulher mais velha buscando mulheres mais jovens para “desenfadarem” seus machos.

A homossexualidade e outras “luxúrias”

As informações que se seguem têm como base apenas o relato de Gabriel Soares de Sousa. Os demais autores pesquisados (Staden e Léry) não trazem essas informações acerca de outros costumes dos Tupinambás, incluindo a homossexualidade.

Assim, por exemplo, segundo o referido autor, os Tupinambás eram tão luxuriosos “que não há pecado de luxúria que não cometam”. Seguindo neste festival de luxúrias, segundo Gabriel Soares de Sousa, desde pouca idade os Tupinambás já tinha contato com mulheres mais velhas, “desestimadas” pelos homens, que lhes ensinavam o que não sabiam e não lhes deixavam de dia, nem de noite. Também diferente dos demais autores, Gabriel Soares de Sousa relata a ocorrência de relações de incesto entre os Tupinambás, além de relacionamento sexual com irmãs e tias.

Além disso, em relato único, este autor traz a informação de que os Tupinambás, “não satisfeitos com o membro genital como a natureza formou”, colocavam o pelo de um bicho peçonhento (uma caranguejeira?) no pênis para torna-lo tão grosso e disforme, mesmo sofrendo seis meses de dores, “que os não podem as mulheres esperar, nem sofrer.”

Com relação à homossexualidade, em relato apenas encontrado em Gabriel Soares de Sousa, os Tupinambás são “muito afeiçoados ao pecado nefando, entre os quais não se tem por afronta, e o que se serve de macho, se tem por valente, e contam esta bestialidade por proeza; e nas suas aldeias pelo sertão há alguns que tem tenda pública a quantos os querem como mulheres públicas.” (op. Cit. P. 308). Não creio que precisa traduzir “pecado nefando” no contexto apresentado, pois resta claro que um índio se achava macho e se vangloriava por isso, enquanto outros se ofereciam, em tendas, como mulheres públicas, ou seja, claramente este é o relato de relações homossexuais.

Em vista disso tudo, nossos olhares contemporâneos de igualdade de gênero, da conquista de direitos pelas mulheres, da inscrição dessas conquistas em um Código Civil e em uma Constituição, não podem compreender ou mesmo aceitar os costumes dos índios Tupinambás do século XVI. Não se quer dizer, portanto, que estivessem certos ou errados, justos ou injustos, legais ou ilegais, morais ou imorais etc, pois nossos paradigmas atuais não se aplicam, assim como os paradigmas dos invasores, aos costumes de um povo como os Tupinambás do século XVI.

O que se pretende com este breve estudo, por fim, em tempos de hipocrisias e tentativas de moldar o comportamento dos homens e mulheres através de normas impostas, validadas e tornadas legais por mero formalismo, ou definidas como “naturais”, é apenas registrar a curiosidade de uma pesquisa e fazer constar que os primeiros relatos dos que invadiram e mataram os habitantes deste território, e continuam fazendo, assim viram e disseram sobre este povo.

Finalmente, para os que defendem os paradigmas e dogmas de suas crenças atuais – sejam católicos ou evangélicos - como condições imprescindíveis à salvação e conquista do céu, é de se perguntar: então, os Tupinambás, por tantos “pecados” cometidos – da embriaguez à homossexualidade - estariam todos no inferno? Se sim, então não seriam filhos de Deus? Se não, então viva a liberdade de todos os povos em todas as fases da história da humanidade!

Gerivaldo Neiva - Juiz de Direito (Ba), membro da coordenação estadual da Associação Juízes para a Democracia (AJD). membro da Comissão de Direitos Humanos da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e Porta-Voz no Brasil do movimento Law Enforcment Against Prohibition

Obras consultadas:
[1] Staden, Hans. Duas viagens ao Brasil. Porto Alegre: L&PM, 2008, p. 150.; [2] Léry, Jean de. Viagem a Terra do Brasil. São Paulo: Livraria Martins, 1941. P. 202.; [3] Sousa, Gabriel Soares de. Tratado Descritivo do Brasil em 1587. São Paulo: Editora nacional; Brasília: INL, 1987, p. 311.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Estudantes entrevistam moradores sobre a catástrofe de 67

Alunos do 7º ano da Emef Profª Edna Maria Nogueira Ferraz (Perequê Mirim) participaram nesta sexta-feira (25/10/2013), na secretaria de Educação, de um encontro com moradores antigos de Caraguá, que vivenciaram a Catástrofe de 1967, ocorrida no município.

Estudantes, professores e convidados assistiram ao vídeo “Caraguá da Catástrofe ao Progresso”, que conta parte da história da tragédia.

A professora aposentada Jupyra Dias Campos, 78 anos, presenciou a tromba d’água que deixou um rastro de destruição e mortes. “Era professora da rede estadual e o que mais me marcou foi um aluno de 9 anos que perdi nessa tragédia. Ele sentava na primeira carteira na sala de aula”, disse.

Morador do Porto Novo, Pedro Paes Sobrinho, 77 anos, falou que viu muita gente apenas com a roupa do corpo molhada e rasgada. “A cidade ficou tomada de árvores e galhos arrancados. Tirei minha mãe com o auxílio de um barco, pois a água havia subido um metro e meio dentro de casa. Resgatei muita gente e transportei para locais seguros”.

Elpídio Moreira da Silva, 65 anos, auxiliar de serviços gerais na Emei/Emef Bernardo Ferreira Louzada (Rio do Ouro), disse que sua maior emoção, foi encontrar o pai vivo, coberto de lama. “Quando a chuva diminuiu fui procurar meu pai. Achei ele no chão, cheio de barro, mas vivo. Meu irmão reencontrei dois dias depois do temporal”.


A professora Tatiana Figueira, responsável pelo projeto “Se me lembro bem...”, disse que o diálogo foi produtivo. “O encontro proporcionou subsídios para trabalharmos o gênero memórias literárias nas aulas de Português e também o resgate de histórias contadas por pessoas que viveram aquele momento”.

domingo, 25 de agosto de 2013

Precisa-se de depoimentos sobre a catástrofe de Caraguá

Santa Casa de Caraguá: ilhada pelos destroços
Aluna quer as informações para completar trabalho científico de conclusão de curso

Em 18 de março de 1967, uma terrível catástrofe se abateu sobre Caraguatatuba, ceifando oficialmente quase 700 pessoas, mas, extraoficialmente, cerca de duas mil delas.

Parecia –parafraseando as Escrituras– que as comportas dos céus haviam se rompido, permitindo que um grande volume de água, em forma de chuva, ou de tromba d’água, castigasse os moradores deste adorável pedacinho de chão.

Morros caíram, as encostas deslizaram, toras de enormes árvores foram arrancadas de seus locais centenários e arrastadas pelas águas barrentas e bravias. Parecia o fim do mundo – e o era, infelizmente, para muitos dos moradores desta cidade.

O município ficou alagado, casas destruídas, famílias inteiras desapareceram. Muitos corpos –centenas deles– não foram encontrados até hoje, e jazem esquecidos em um ponto qualquer da cidade ou aos sopés dos morros.

A cidade, depois dessa tragédia, conseguiu se reerguer, à custa de muita luta e sacrifícios de seus moradores. Um trabalho de formiguinhas, mas producente, que permitiu que Caraguá atingisse o grau de desenvolvimento que experimenta hoje.

Como a fênix, Caraguá literalmente ressurgiu das cinzas, ou, mais apropriadamente, das águas. Para o orgulho de todos nós, que aqui moramos e construímos as nossas vidas.

Um fato como esse não pode cair no esquecimento.

Manter viva a memória dos acontecimentos nos permite avaliar e reavaliar situações, sempre tendo em mente que a Natureza, por sua própria natureza, por vezes é incontida e sua fúria pode irromper-se a qualquer momento, como o vulcão que acorda depois de longo período de serenidade e letargia.

Caraguatatuba contava à época dos fatos cerca de 15 mil moradores. Hoje, esse número passa dos cem mil. Em outras palavras, um acontecimento dessa magnitude, hoje, traria um resultado terrível, principalmente levando-se em conta que muitas áreas consideradas de risco encontram-se tomadas de moradores. Dezenas de milhares de vítimas teríamos para lamentar.

O Caraguablog recebeu da estudante Cristiane Reuter um e-mail solicitando apoio para seu trabalho de conclusão de curso que aborda justamente a catástrofe de 1967 em Caraguatatuba. Sem dúvida, um esforço de fôlego e que merece a colaboração de todos que tenham presenciado o evento, fornecendo o seu depoimento imparcial para uma melhor compreensão do sucedido.

Não temos nomes a indicar em especial, mas muitas pessoas ainda moram na cidade e que podem contar muita coisa acerca daqueles tenebrosos dias vividos na cidade. Um, todavia, é considerado ponto-chave. Trata-se do médico doutor Keiiti Nakamura, que na época trabalhava na Santa Casa “Stella Maris” e que deu tudo de si no atendimento das pessoas feridas.

A foto que ilustra este texto mostra o prédio da Santa Casa, ele mesmo ainda incólume em meio à destruição total, revelando quão duro foi o golpe desferido contra Caraguá naquela oportunidade.

Pedimos que os Leitores, que conheçam algumas pessoas que possam falar sobre o assunto, que informem à estudante, para que, assim, tenha condições de completar o seu trabalho, com registros importantes acerca daquele triste evento.

Abaixo, o teor do e-mail recebido:

“Olá. Sou estudante do curso de História e escolhi falar sobre a tromba d'agua de 1967 no meu TCC. O artigo do blog me ajudou muito, mas preciso de fonte oral; minha mãe é moradora da cidade de Caraguá e conhece algumas pessoas que viveram a tragédia, mas gostaria de mais depoimentos. Agradeço desde já.”

Informações – enviar para: cris8.reuter@hotmail.com

sábado, 1 de junho de 2013

OBRA DE DUPLICAÇÃO DA TAMOIOS REVELA SÍTIO ARQUEOLÓGICO

Escavações feitas durante a obra de duplicação da rodovia dos Tamoios, no Vale do Paraíba (SP), revelaram vestígios da presença de índios de tradição cultural aratu, que habitaram o país entre os séculos 10 e 14.

São milhares de peças de cerâmica --como fragmentos de potes, tigelas e urnas funerárias-- e ferramentas de pedra lascada, espalhadas por uma área de 5.000 m2 na altura do km 28 da estrada, em Paraibuna (124 km de SP). 
Pela quantidade de material encontrado, em um ponto que era cortado pelo rio Paraíba do Sul --desviado para a construção da usina de Paraibuna--, supõe-se que havia uma grande aldeia no local, com centenas de pessoas.
ONDE FICA 
O sítio arqueológico, com cerca de 5.000m², fica na altura do Km 28 da rodovia, em Paraibuna /SP, próximo à margem do lago da usina de Paraibuna, local no passado ocupado pelo rio Paraíba do Sul.

Para a equipe envolvida nos trabalhos, a descoberta ajuda a montar o quebra-cabeça da ocupação humana nesta região de São Paulo, onde a tradição tupi-guarani sempre foi mais comum. 
"A descoberta confirma a presença dos aratus no Vale do Paraíba e a importância do Paraíba do Sul para a população ao longo das gerações", diz o arqueólogo Wagner Bornal, contratado pela Dersa (estatal de estradas de São Paulo) para o trabalho. 
O QUE FOI ENCONTRADO
Fragmentos de utensílios cerâmicos (tigelas, potes) e urnas funerárias, além do material lítico lascado, usado como ferramentas de corte e perfuração – estimados em pelo menos 600 anos de idade.  
Até então, havia apenas dois outros sítios com vestígios dos aratus na região: em Santa Branca (95 km de SP) e em Caçapava (116 km de SP). 
Ceramistas e agricultores, os aratus viveram antes da colonização portuguesa, sobretudo no Nordeste. Não há consenso sobre o que levou ao desaparecimento de sua cultura --a hipótese mais provável é que eles tenham se mesclado com outras etnias.

Os primeiros estudos que identificaram essa cultura foram publicados no final da década de 1960. 
Considerada "mãe" da arqueologia amazônica, Betty Meggers (1921-2012), e o marido, Clifford Evans (1920-1981), encontraram 24 sítios aratus no Recôncavo Baiano.

Hoje há registro de vestígios dessa cultura no Nordeste e nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, onde o sítio Tamoios 1 é o mais recente. 
Os índios dessa tradição viviam nas imediações de cursos de água perenes. Cultivavam milho, feijão, mandioca e amendoim. Também trabalhavam o algodão. A cerâmica produzida por eles era alisada, sem traços decorativos.
Detalhae de peça cerâmica atribuída aos aratus
Também usavam grandes potes como urnas funerárias, material encontrado em abundância no sítio na Tamoios --muitas peças praticamente na superfície, sob apenas 40 cm de terra. 
O local está fechado para pesquisas. Os arqueólogos querem transformá-lo em sítio-escola para visitas monitoradas, proposta que ainda será analisada. 

"O sítio tem um potencial informativo e científico, pois ajuda a completar uma lacuna sobre a ocupação do Vale do Paraíba", afirma Bornal. 

Segundo a Dersa, o sítio não sofrerá impacto das obras da Tamoios. A descoberta foi reconhecida pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e o material será catalogado e disponibilizado ao público.
RICARDO HIAR/ PARA A FOLHA
Editoria de arte/Folhapres
Caraguablog/JFPr

sábado, 20 de abril de 2013

Caraguablog atinge 300.000 acessos


Caraguablog congratula seus leitores pelos 300 (trezentos) mil acessos alcançados. Há 28 meses no “ar”, não medindo esforços jornalísticos para apresentar o melhor do Litoral Norte com uma linha de independência em relação às forças que movem a sociedade, em respeito a nossos leitores e principalmente a nós mesmos jornalistas responsáveis. Nada se constrói com a subserviência, nem com a meia-informação ou com a meia-verdade.

Traduzido em oito línguas, pessoas do mundo inteiro estão interligadas ao Caraguablog conhecendo as belezas naturais do Litoral Norte através dessa maravilha que é a internet.

O Litoral Norte é um só. Vivemos do mar, do meio ambiente preservado, dependemos do sol, de nossas belas praias de um luar brilhante que inspire nossos visitantes cheios de amor pra dar.

Mostramos a Mata Atlântica e região, suas belezas, montanhas, praias, cachoeiras, trilhas. Enfim, estamos na Serra do Mar, um dos pontos mais preservados da natureza do Brasil e do planeta.

O Caraguablog se insere como instrumento de preservação, divulgação da informação e da crítica, quando esta se faz necessária e oportuna, por isso sente-se honrado em comemorar os seus 300 mil acessos. Porém a marca atingida deve ser creditada, antes, aos nossos Leitores. Sem a sua participação efetiva, acompanhando-nos no dia a dia, a cada momento, a cada matéria postada, nada disso teríamos conseguido.

Afinal, o blog pertence a todos. Aberto a comentários, sugestões, críticas. Principalmente ao envio de matérias e fotos, para que essa interação blog/Leitor se efetive em prol da consecução do bem-comum.

Contamos 
com sua participação...

José Flávio Pierre
WWW.CARAGUABLOG.BLOGSPOT.COM               MTB Nº 0068349SP

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Caraguá era assim...



Fundação de Caraguatatuba - Desenho de Olga Duarte Nóbrega

Reproduzimos aqui para conhecimento de nossos leitores a crônica “Caraguá era assim”, de autoria do professor Percival Bento Rangel, estudioso da formação social do Litoral Norte/SP.

A matéria foi publicada na Revista da Cidade/Caraguá nº 25, edição de fevereiro/março de 2012, editada pelo jornalista Roberto Espíndola.

A descrição mostra uma Caraguatatuba profusa de calor humano, de um bom tempo que não volta mais...

Veja:
  
Nostalgia: Caraguá era assim

Uma crônica da vida da cidade no século passado
*Percival Bento Rangel

Ai que saudades que eu tenho / Da nossa Caraguá antiga / De toda uma gente amiga / De um tempo que não volta mais

Os dias eram tranqüilos. As noites especialmente belas. Quando o bom tempo permitia, era fantástico observar o manto estrelado e, na lua cheia, a claridade beijava toda a cidade, que não possuía edificações de porte.

Quem morava no perímetro urbano deliciava-se com o doce silêncio das noites, quando ainda era possível perceber o barulho do mar e ouvir as badaladas do sino da Igreja Matriz. Da cama ouvia-se o coaxar dos sapos e o “criquilar” dos grilos, entremeados pelos sons das corujas e suindaras (estas associadas a maus acontecimentos).

Vista Panorâmica Alto da Serra
A TV ainda não fazia parte do cotidiano caiçara. Os jornais já aqui chegavam para algumas pessoas: O Estado de São Paulo, Diário de São Paulo, Correio Paulistano, entre eles. A Rádio Nacional do Rio de Janeiro era a emissora mais ouvida, principalmente pelos programas musicais. Francisco Alves, Emilinha Borba, Marlene, Cauby Peixoto, Nélson Gonçalves, entre outros.

Pelos rádios a válvulas, muito mais potentes que os modernos, a população recebia as informações do que ocorria pelo país e pelo mundo, através do “Repórter Esso” na voz de Heron Domingues. O futebol representava o “nacionalismo caiçara”. Todos iam ao campo do XV aos domingos, que era onde hoje está a Praça Diógenes Ribeiro de Lima e, que posteriormente, transferido para o Bairro do Tatu onde se encontra, graças a uma doação da Prefeitura da cidade.

Praça Cândido Mota
O XV tinha o maior esquadrão da sua história, onde desfilavam pelo gramado quinzista bons de bola, como Carolino Garrido, Pancho, Ciro, Didi. O maior adversário do XV era a equipe de São Sebastião. Quando da realização dos jogos, fosse aqui ou na cidade vizinha, os torcedores mais fortes e bons de briga eram convocados a acompanhar a delegação. Brigas históricas foram registradas.

Nessa época surgiram o basquetebol e o futebol de salão (atual futsal) graças à inauguração do primeiro ginásio estadual do Litoral Norte. Uma quadra improvisada, de terra batida, foi construída na escola onde hoje funciona o museu, na Praça Cândido Mota. Em determinado período o PSP (Partido Social Progressista), do Adhemar de Barros, dominou a política local através do seu representante Diógenes Ribeiro de Lima, que possuía uma residência de verão em nossa cidade.
Cruzamento da rua Dr. Altino Arantes com a rua Santa Cruz

Em meados da década de 50, o então governador Jânio Quadros visitou a Ilhabela e encantou-se com a esposa de um político local. Jânio, mulherengo pela própria natureza, começou a fazer muitas visitas à ilha. Como a estrada era precária, sujeita constantemente a interdições, tomou uma providência urgente e, como prêmio, tivemos o asfaltamento da Rodovia dos Tamoios e a construção da Ponte sobre o Rio Juqueriquerê.

A região onde fica o bairro do Benfica e o Estrela D’Alva era praticamente desabitada e repleta de goiabeiras. Na época da produção dessas frutas, pessoas iam com cestas colher as goiabas para fazerem goiabada cascão.

O carnaval de rua surgiu com blocos que desfilavam pela cidade em direção ao mar, onde eram desfeitos. Essa atividade carnavalesca foi criada por estudantes de São José dos Campos, com a efetiva participação da juventude local. Havia bailes que representavam um grande acontecimento social e, no carnaval, eram realizados vários bailes em ambientes fechados, onde o lança perfume corria solto, sem proibições. Nena, Pedrina Carvalho, Maricota, Hilda, entre outras jovens, eram os bibelôs da época, com presença obrigatória nas atividades sociais e esportivas.

Vista Panorâmica Morro Santo Antônio
A cidade recebia muita gente nas férias de julho, quando a juventude local e turista se juntava para a prática de esportes na areia da praia, voleibol e futebol. O Bar do Baiano (João Arthur de Souza) era o ponto de encontro dos esportistas para a discussão sobre futebol. São-Paulino apaixonado, sofria com a má fase do time. Era também um ponto de fofocas.

Devido ao rígido código moral da época o sexo era tabu. Uma ou duas mulheres eram as prostitutas oficiais e, por lógica, muito procuradas. Alguns jovens da cidade tinham por hábito seguir os casais que procuravam algum ponto ermo, para viver seus momentos de amor, esses jovens assistiam essas cenas na tocaia, buscando a prática do sexo solitário.

O comércio era rudimentar. Poucos armazéns de secos e molhados ofereciam vasta gama de produtos. Cereais, enlatados, massas, fumo de rolo, arame, enxadas, pás, querosene... A maioria da população dos bairros e parte da zona urbana ainda usava a lamparina para a iluminação noturna. O famoso penico (vaso noturno), era um instrumento importante na maioria das casas.

Os padeiros e leiteiros deixavam seus produtos na porta das residências pela manhã e, para espanto das pessoas da nossa época, ninguém os roubavam. Sem se preocupar com o termo ECOLOGIA, nos armazéns, os produtos, principalmente cereais, açúcar e macarrão, eram vendidos por quilo, embalados em folhas ou sacos papel. Os consumidores da boa cachaça eram os grandes privilegiados, Ilhabela era a maior produtora da região, Ubatuba também produzia boas cachaças.

Os policiais destacados para nossa cidade tinham como principal tarefa prender alguns bêbados que aprontavam pelas ruas e no dia seguinte eram soltos. O famoso Frei Pacífico Wagner tentava domar os pecadores, organizando cerimônias e atividades religiosas. Trazia para a Igreja grandes pecadores e notáveis picaretas da época. Às vezes os levava em romaria até Aparecida do Norte, para purificar suas almas pecaminosas.

Todos os anos, no mês de junho, havia a tradicional quermesse na Praça Cândido Mota que ainda não era urbanizada, com barracas cobertas de sapé, onde diversos jogos eram oferecidos. Havia também barracas com guloseimas e o tradicional quentão. Meses antes da festa, a igreja nomeava os festeiros que eram encarregados de organizar e financiar o evento.

Havia grande rivalidade entre as igrejas. Católicos, a grande maioria, criticavam os crentes e os espíritas, que eram considerados por eles agentes do demônio. O preconceito racial era latente. Pobre da mulher que namorasse um negro: era rejeitada pela maioria dos homens.

Para finalizar, o pescado era abundante. Camarão era tirado do mar, desde a praia do Camaroeiro até a Barra do Juqueriquerê com um simples puçá. Muitas pessoas ainda tinham seus quintais, onde plantavam hortas e o povo não passava fome.

Mas, para tristeza geral, apesar do tranqüilo estilo de vida, a saúde da população era precária. Os médicos eram raros, depois apareceram os primeiros dentistas e a estimativa de vida era de 40 a 50 anos. Com estes dados dá para se ter uma idéia comparativa entre aqueles tempos e os dias de hoje.

* Percival Bento Rangel é professor, 
historiador e estudioso da 
formação social do Litoral Norte/SP

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Justiça impede Gobetti; Aguilar entra na disputa



A pretensão de Wilson Gobetti de ser prefeito de Caraguá foi por terra. Pelo menos, nestas eleições.

Depois de ter a candidatura indeferida pela justiça local, agora foi a vez de o Tribunal Regional se pronunciar a respeito, avaliando um recurso apresentado pelo candidato do PDT e da coligação “Caraguá mais unida e mais feliz”.

O julgamento foi desfavorável a Gobetti nesta segunda-feira. Em decisão unânime, a sua candidatura foi indeferida. A razão: contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado relativas à sua gestão de presidente da Câmara Municipal de Caraguatatuba em outras oportunidades.

Gobetti está no seu terceiro mandato de presidente da Câmara. Foi presidente nos biênios 2003/2004 e 2007/2008. É o atual mandatário do poder Legislativo, biênio 2011/2012.

Aguilar – Reunidos na manhã desta terça-feira, os integrantes da coligação “Caraguá mais unida e mais feliz” decidiram não apelar da decisão do TRE e lançar outro candidato. César Jumana se dispôs a aceitar, mas a decisão acabou recaindo sobre José Pereira de Aguilar, também do PDT, que foi prefeito da cidade no quatriênio 2005/2008.

A substituição de nomes foi entendida como solução para não criar dúvidas na cabeça do eleitor na hora de depositar seu voto na urna.

Aguilar, disputanto a reeleição, já enfrentou o atual prefeito Antonio Carlos da Silva nas eleições de 2008 e perdeu por pequena diferença de votos. Agora, o confronto volta a acontecer.

Primeiro Damo - A história política de Caraguatatuba já registrou outra substituição de candidato a prefeito na fase final de campanha. Foi nas eleições de 1972. Geraldo Nogueira da Silva, o Boneca, com a candidatura cassada pela justiça ante os inúmeros processos a que respondia (mais de vinte), acabou lançando sua esposa Tereza Cury Nogueira de última hora e venceu as eleições.

Boneca assumiu o cargo de chefe de gabinete e era o prefeito “de fato”, decidindo tudo na administração, enquanto que sua mulher era o prefeito “de direito”, apenas de fachada. Boneca se intitulava, jocosamente, o “Primeiro Damo” da cidade.