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domingo, 4 de dezembro de 2016

O ano da desforra

Confira o Editoral do jornal A Melhor Idade, editado por Plínio Guimarães, que circulou neste dia 1º de dezembro de 2016:

O Ano da Desforra

Apesar de controvérsias e opiniões em sentido contrário, o ano que se finda não foi um ano inteiramente ruim. Na verdade, foi um ano de acerto de contas. Este gosto amargo que sentimos neste findar de mais uma etapa de nossas vidas é o resultado das mazelas e do remédio aplicado que, como toda beberagem curativa, não deixa lá muito agradável o paladar. É natural. O que se deve levar em conta são os resultados obtidos.

Por este ângulo, 2016 foi um ano proveitoso no sentido do acordar para a cidadania. O povo voltou às ruas para protestar, bater panelas, expor a sua insatisfação, exigir punição para aqueles que se especializaram em solapar os cofres públicos. O povo decidiu pôr um ponto final ao nefasto estado de coisas e começou apeando do poder um Presidente da República e praticamente banindo do mundo político um partido que se autoidentificava como o altar da ética e da honestidade.

A mensagem que ecoou nas manifestações e depois desaguou nas urnas não deixa dúvidas a respeito disso. O povo falou, e falou bonito; e o melhor: se fez entender. O brado ouvido de norte a sul e de leste a oeste deste Brasil de dimensões continentais fez estremecer detentores de poderes instalados em Brasília, sinalizando para a chegada do fim de uma era inteira de irresponsabilidades e práticas de ações criminosas, coletivas e estruturadas.

A profilaxia ainda não terminou. Autoridades do Bem ainda labutam com afinco na captura e punição das extensas quadrilhas instaladas nos Poderes da República ou espalhadas por esses rincões. O trabalho é lento, criterioso, apegado às leis, enfrentando obstáculos que se teimam em erigir à sua frente, mas ele segue o seu curso, sereno, diligente, sagaz, para o desespero daqueles que faziam do subtrair a razão de suas vidas.


O ano de 2016, o Ano da Desforra, mostrou o descontentamento popular e sua forma eficiente de enfrentar maus representantes e apaniguados, lição que jamais será esquecida. E o ano de 2017 se inicia como o Ano da Reconstrução, exigindo o sacrifício de todos, já que o país se encontra destroçado economicamente, com uma taxa de desemprego nunca antes vista, altos índices inflacionários e um déficit público beirando o descontrole, tudo a exigir um esforço hercúleo de quantos ainda acreditam ser o Brasil um país viável.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O Bem e o Mal existem. Só é preciso saber escolher...

Editorial do jornal “A Melhor Idade”, que circula em Caraguatatuba-SP, Brasil, edição do mês de setembro/2016:

“Meu bem, meu mal

O Brasil é mesmo uma terra de contrastes. Mal acabamos de nos deslumbrar com a abertura dos Jogos Olímpicos, com o desempenho de nossos atletas, as solenidades de encerramento --e o mais importante, sem incidentes diante de uma expectativa ruim--, e de um saldo considerado positivo do pós-olimpíada, embora haja alguns senões, e eis que a nação inteira se depara agora com uma lavação de roupa suja que pode apear do poder um presidente da República e talvez implodir o partido mais organizado e “religioso” que o país já teve, produzindo um efeito cascata de quedas e condenações.

O carro-brasil acelera de zero a cem em uns poucos segundos. Só que entre o parado e o acelerado, o custo é muito alto para os brasileiros pagarmos. Embora a nossa parcela de culpa nesses escândalos seja pequena, de forma indireta, omissiva, como aceitadores e conformados com tudo, simbolizado pelo voto dado sem questionamentos ou análises mais profundas, de certa forma bem que merecemos esse governo que aí está, conforme repetidas vezes dizem por aí.

O povo brasileiro sempre foi enganado. É e o será pelas décadas que virão. A transformação tão esperada é algo que exigirá muita prudência, pesados investimentos em Educação e principalmente ação vigorosa acerca de tudo que se construiu e se pensou até hoje. A irresponsabilidade de dirigentes ladravazes e a mansidão dos bons não têm mais lugar neste Brasil de proporções agigantadas. Mas é um caminho tortuoso, cheio de armadilhas, envolvendo gerações e mudança de costumes já enraizados na cultura popular, como a maldita tolerância ao “rouba, mas faz”.

Quando este texto for publicado já estaremos conhecendo o desfecho do julgamento pelo Senado, cassando o mandato da presidente ou perdoando os seus deslizes, acoimados de pedaladas, socos e pontapés em tudo e em todos. Qualquer que seja o resultado, caberá a nós darmos um novo rumo a esta Nação, chutar a bola pra frente, acelerar fundo, inspirar os puros ares desta terra e, munidos de muita creolina, escovões e que tais, partir em busca das transformações por tantos almejada.

Como o ladrão, assassino, e o monge, o Bem e o Mal existem. Só é preciso saber escolher. E a escolha já começa no dia 2 de outubro.”

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Democracia ameaçada

Veja o editorial do jornal A Melhor Idade, que circula em Caraguá, edição de abril:

A Democracia Ameaçada
O Brasil vive um momento explosivo. As manifestações de ódio e intolerância estão por aí, mescladas às manifestações dos que apenas almejam a paz, prosperidade e um viver tranquilo num estado realmente ao império das leis. O clamor por Justiça é visto nas ruas, no retinir das panelas, e, com maior vigor, nos brados viris dos que exigem o fim de uma corrupção financeira e moral que infecta as instituições.

Pode ser exagero, mas falam até em contenda civil, em invasão do solo pátrio por países fronteiriços, promovida por “líderes” que apregoam a defesa de “la democrácia” nas Américas. Forças de natureza assim tão nefastas parecem conspirar por um embate derradeiro entre o vermelho-sangue e o verde e amarelo que tanto aprendemos a amar ao longo da nossa formação cívica.

A ameaça à Democracia parece ser real e isso naturalmente nos põe de sobreaviso. Não podemos deixar que uns poucos aloprados provoquem um desastre de tais proporções ao nosso querido Brasil, por nossa honra própria e em honra daquelas gerações que ainda virão. Somos todos responsáveis pelo que aconteça a esta terra abençoada, herdada livre de nossos pais
.
Mas, o que podemos fazer? Nós, pobres cidadãos, de índole pacifista e afastados da prática de ideologias e manobras políticas, por vezes rasteiras e criminosas?

Podemos fazer muito; muito, mesmo. Como o elefante, não temos ciência das próprias forças, mas as descobriremos dentro de nós, medidas em megatons, no momento exato em que a cusparada derradeira atingir em cheio a nossa face.

Podemos fazer muito, sim. Desde o descascar de uma batata, o pregar de um botão dourado, ao empunhar de uma lança. Tal o beija-flor, que com suas idas e vindas procurava apagar o incêndio da floresta, levando ínfima quantidade de água, podemos improvisar, usar da criatividade nata em cada um de nós, mas jamais ficar silentes ou acovardar diante de desmandos e da ação de forças malignas.


Uma andorinha só não faz verão. Milhões delas, sim...