Editorial do jornal “A Melhor
Idade”, que circula em Caraguatatuba-SP, Brasil, edição do mês de setembro/2016:
“Meu
bem, meu mal
O
Brasil é mesmo uma terra de contrastes. Mal acabamos de nos deslumbrar com a
abertura dos Jogos Olímpicos, com o desempenho de nossos atletas, as
solenidades de encerramento --e o mais importante, sem incidentes diante de uma
expectativa ruim--, e de um saldo considerado positivo do pós-olimpíada, embora
haja alguns senões, e eis que a nação inteira se depara agora com uma lavação
de roupa suja que pode apear do poder um presidente da República e talvez implodir
o partido mais organizado e “religioso” que o país já teve, produzindo um
efeito cascata de quedas e condenações.
O
carro-brasil acelera de zero a cem em uns poucos segundos. Só que entre o
parado e o acelerado, o custo é muito alto para os brasileiros pagarmos. Embora
a nossa parcela de culpa nesses escândalos seja pequena, de forma indireta,
omissiva, como aceitadores e conformados com tudo, simbolizado pelo voto dado
sem questionamentos ou análises mais profundas, de certa forma bem que merecemos
esse governo que aí está, conforme repetidas vezes dizem por aí.
O
povo brasileiro sempre foi enganado. É e o será pelas décadas que virão. A
transformação tão esperada é algo que exigirá muita prudência, pesados
investimentos em Educação e principalmente ação vigorosa acerca de tudo que se construiu
e se pensou até hoje. A irresponsabilidade de dirigentes ladravazes e a
mansidão dos bons não têm mais lugar neste Brasil de proporções agigantadas. Mas
é um caminho tortuoso, cheio de armadilhas, envolvendo gerações e mudança de
costumes já enraizados na cultura popular, como a maldita tolerância ao “rouba,
mas faz”.
Quando
este texto for publicado já estaremos conhecendo o desfecho do julgamento pelo
Senado, cassando o mandato da presidente ou perdoando os seus deslizes,
acoimados de pedaladas, socos e pontapés em tudo e em todos. Qualquer que seja
o resultado, caberá a nós darmos um novo rumo a esta Nação, chutar a bola pra
frente, acelerar fundo, inspirar os puros ares desta terra e, munidos de muita creolina,
escovões e que tais, partir em busca das transformações por tantos almejada.
Como
o ladrão, assassino, e o monge, o Bem e o Mal existem. Só é preciso saber
escolher. E a escolha já começa no dia 2 de outubro.”
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