Vale a pena conferir o editorial do jornal Imprensa Livre de ontem, que procura
alertar o eleitor para um grande mal que assola este país nas épocas de
eleição: a corrupção do eleitor.
Vamos ter eleição para prefeitos e vereadores depois de
amanhã, domingo, dia 7 de outubro. O recado do nosso jornal diário há de ser
entendido por todos aqueles que se preparam para depositar seu voto na urna.
Reflitam, analisem, pensem. Depois, votem...
Compra de votos
“Vamos eliminar de uma vez este político e evitemos aquele
ditado: ‘cada povo tem o governo que merece'”
Não tem como não escrever sobre eleições, pelo menos nesta
semana, na reta final de mais um pleito, em que os eleitores irão escolher
aqueles que estarão no comando de nossos destinos por quatro anos.
A importância destas eleições ultrapassa as anteriores se
pensarmos que o país se encontra em uma situação que é ou vai ou racha e não
tem como nem por que a população não pensar em uma limpeza e moralidade, que se
faz urgente na política brasileira.
Ontem, uma matéria na Folha de S.Paulo, divulgou que a
Justiça Eleitoral do Pará apreendeu mais de R$ 1 milhão em dinheiro que estava
em uma aeronave de pequeno porte e acabara de pousar no aeroporto local, na
cidade de Parauapebas. Felizmente este dinheiro não irá parar nas mãos de
eleitores que poderiam ser comprados.
Pelo menos, esta é a desconfiança da justiça que apreendeu o
dinheiro de que seria para campanha de algum candidato a prefeito do município.
Para a justiça, mesmo que não seja um caixa dois de campanha
eleitoral, trata-se de recurso não declarado, podendo configurar crime de
lavagem de dinheiro. O dono da grana ainda não foi descoberto. O piloto e um
casal que estava na aeronave ainda prestarão depoimentos, mas já sabemos que
devem declarar desconhecimento deste montante de dinheiro no avião.
Porém, este caso demonstra que compra de voto pode existir e
se este foi apreendido, graças a uma denúncia ao juiz eleitoral da região,
outros voos semelhantes podem ter sido bem sucedidos em outras regiões
brasileiras. Não é de hoje que ouvimos que votos são vendidos e sicrano ou
beltrano se elegeu por comprar o eleitor.
Mas a compra de votos pode acontecer não somente com
dinheiro, mas quando um candidato oferece um benefício (cesta-básica, sapato,
dentadura, consulta, emprego, veículo, imóvel, etc.) em troca do voto. Pode
caracterizar também a prática para a chamada lavagem de dinheiro, quando alguém
tem “dinheiro sujo” e investe esse dinheiro sujo no político.
De acordo com a lei nº 9.840, de 28 de setembro de 1999, o
candidato que oferecer qualquer benefício em troca de votos poderá ser punido
com multa de até 50 mil reais e cassação da candidatura. Mas infelizmente, é
difícil provar tal atitude de candidato, que faz este serviço sujo na completa
clandestinidade.
Mas, pior do que os candidatos que compram votos, é o
eleitor que se preza a um papel deste. Depois, este cidadão não me venha
reclamar ou pedir melhora nos serviços públicos, pois tratou seu voto como
interesse próprio em detrimento ao coletivo e com certeza o candidato que
ofereceu estes “préstimos” não será um bom político. E aqui mesmo no Litoral
Norte está prática pode existir.
Decididamente, são nestas questões que o eleitor deve
refletir em seu voto, o que facilitará até na seleção, pois basta não votar em
quem ofereceu alguma regalia caso seja eleito, pois além de não cumprir, já
demonstrou o péssimo caráter.
Isso vale também para aqueles que não foram a vítima direta
do candidato, mas ficaram sabendo de tal atitude por terceiros. Eliminem de uma
vez este político e evitemos aquele ditado: “cada povo tem o governo que
merece”.
Selma Almeida - Jornal Imprensa Livre - editorial - 04/10/12
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