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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

OAB apresenta ação contra trecho da Lei do Direito de Resposta


Brasília - A Ordem dos Advogados do Brasil apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde desta segunda-feira (16/11) Ação Direta de Inconstitucionalidade contra trecho da Lei do Direito de Resposta.
“A OAB defende o direito de resposta, mas entende que a lei não pode proibir que a Justiça funcione de forma livre e independente para coibir abusos, inclusive o direito de resposta abusivamente concedido”, explica o presidente da OAB Nacional, Marcus Vinicius Furtado Coêlho.
O trecho contestado pela OAB é o artigo 10, que estabelece que recursos contra o direito de resposta determinado pela Justiça precisam ser concedidos por órgão colegiado. “Toda pessoa física ou jurídica tem direito constitucional ao recurso, um segundo olhar sobre a matéria. O princípio do duplo grau de jurisdição é obrigatório”, afirmou Marcus Vinicius.
Segundo o presidente da OAB, este dispositivo cria “um evidente desequilíbrio entre as partes e compromete o princípio da igualdade”, pois a parte que pede o direito de resposta tem seu pedido analisado por um único juiz enquanto o veículo de comunicação precisa ter seu recurso analisado por um órgão colegiado, composto por vários juízes.
Pelo texto da lei recentemente sancionada, o direito de resposta pode ser concedido de forma monocrática pelo juiz, mas, se o órgão de imprensa considerar a decisão abusiva, não pode recorrer à instância superior sem que antes a decisão passe por órgão colegiado do tribunal de origem.
“A lei não pode proibir a concessão de liminar por julgador, condicionando-a à decisão de órgão colegiado. Nesse ponto, a Lei nº 13.188 fere a independência entre os Poderes, o acesso à Justiça, a efetividade da jurisdição e a autonomia do julgador”, afirma Marcus Vinícius. “Tal exigência de juízo colegiado para suspender, em recurso, o direito de resposta, retira do relator a possibilidade de analisar a matéria, como é comum nos tribunais”.
A Ordem também chama a atenção para o perigo de haver ferimento à independência dos poderes, pois o Legislativo não pode dispor sobre como o Judiciário vai julgar as causas.
Marcus Vinicius explicou ainda que leis com cláusulas consideradas muito abertas trazem dificuldades em sua interpretação, por isso é importante que os tribunais se atenham sempre à Constituição e se baseiem na jurisprudência, para que os casos apresentados não tragam insegurança à imprensa.
“O direito à informação e a liberdade de imprensa são princípios constitucionais incontornáveis. O direito de resposta deve existir quando houver comprovadamente casos de calúnia e difamação, ofensas à honra. Se, por um lado, as cláusulas da lei são mais abertas, é a lei que temos. O Judiciário tem que fazer análises constitucionais, para que não fira o direito à liberdade de expressão, à opinião e à crítica”, disse.
Enquanto o julgamento da ação não chega ao fim, a OAB pede que o STF conceda uma decisão em caráter provisório para suspender a eficácia do artigo 10º da Lei 13.188/2015.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

É possível fazer política sem mentiras?

Pequena reflexão sobre política e mentira

(Por Wagner Francesco – em www.jusbrasil.com.br)
Eduardo Cunha disse que não tinha dinheiro no exterior. Agora já mudou: tem, mas o dinheiro é oriundo da venda de carne enlatada.



Eu me lembrei do ditador baiano, o Antônio Carlos Magalhães, quando, em 2001, surgiu um (dentre infinitos) escândalo sobre uma lista de como votaram os senadores na cassação do senador Luiz Estevão a José Roberto Arruda - o ACM queria esta lista pra pintar o terror, filhote da ditadura como o cabeça branca era, em cima de quem votou diferente do que ele queria.
Pois bem: quando perguntado se ele viu a lista ele disse que não. Depois disse que viu, mas não pediu.

É triste como toda a política brasileira é pautada na mentira e na sordidez do caráter. Todo dia é um escândalo, e todo dia, desde antes e durante a democracia - pois neste país que nasceu sendo roubado e sucateado o povo é tratado como gado que vai pra o abatedouro - somos empurrados para o abismo.

Bem disse o filósofo Georg Lukács:

"O ser humano nunca conseguiu se conscientizar (nem mesmo por meio da uma consciência adjudicada) das verdadeiras forças motrizes que se escondem por trás dos motivos das ações (políticas) humanas na história." (História e Consciência de Classe. Martins Fontes, p. 155)

Nada muda na vida deste povo. É mentira ali, mentira aqui. E o pior é o Eduardo Cunha que é evangélico e esquece que a Bíblia disse que:

Quem mente é do Diabo - "Vós pertenceis ao vosso pai, o Diabo. Ele foi assassino desde o princípio, e jamais se apoiou na verdade, porque não existe verdade alguma nele. Quando ele profere uma mentira, fala do que lhe é próprio, pois é um mentiroso e pai da mentira." (Jo 8:44)

Chega de tanta mentira nesta política. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. (Mateus 5:37)

É preciso coragem para mudar este país, mas confesso que ando perdendo o principal: a esperança.

Wagner Francesco - Formado em teologia e estudante de Direito. Faz pesquisas nas áreas Penal e Processo Penal. Página no Facebook: facebook.com/wagnerfrancesco.jus