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Depois de anunciar em junho o fim dos exercícios de tiro na
ilha principal do Arquipélago dos Alcatrazes e a disposição de apoiar
integralmente a criação de um parque nacional, a Marinha selou nesta sexta-feira,
23, um acordo de paz com os ambientalistas em uma visita conjunta ao local, que
fica a 45 km de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. À espera da
aprovação do governo federal, o projeto pode sair do papel já no ano que vem,
segundo os envolvidos.
O entendimento entre militares, grupos de defesa do meio
ambiente e pesquisadores põe fim a mais de três décadas de polêmicas em torno
dos testes de tiro, que eram feitos nos paredões rochosos da Ilha de Alcatrazes
desde 1982. O auge das disputas ocorreu em dezembro de 2004, quando um incêndio
destruiu quase 20 hectares da ilha principal. A suspeita, admitida pela própria
Marinha, é que o fogo tenha sido iniciado por um dos testes de tiro no local.
Há mais de um ano nenhum tiro é disparado na ilha principal.
A Marinha exigiu, porém, que alguns testes sejam mantidos esporadicamente na
Sapata, um ilhota rochosa a cerca de 4 km da ilha principal. "Procuramos
outros pontos no País, mas aquela região é a que tem vantagens logísticas e
geográficas para a atividade", explica o vice-almirante Liseo Zampronio,
comandante do 8.º Distrito Naval.
A Marinha concordou com a criação do parque, que será
administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio), mas manteve a posse do arquipélago. "O local, como propriedade,
continua sob administração da Marinha e ela será consultada sobre qualquer
decisão que envolva as ilhas", diz o capitão de fragata André Luiz
Pereira, que representa a Marinha nos grupos de discussão ambiental.
A proposta do parque deve abrir ao turismo um dos pontos
mais preservados de ecossistemas marinhos no Brasil. "Pesquisas mostram
que essa riqueza de biodiversidade é comparável à do Atol das Rocas",
explica a pesquisadora Kelen Leite, do ICMBio. Além do mergulho esportivo,
principal atrativo do futuro parque, a observação de aves, golfinhos e baleias
fará parte do pacote.
Manejo
Chefe da Estação Ecológica de Tupinambás, unidade de
conservação mais rígida mantida no arquipélago, Kelen diz que a demanda de
aproveitamento turístico do local é antiga. Ela garante, porém, que o uso
sustentável no novo parque não põe em risco a preservação - no total, entre
fauna e flora, há 45 espécies ameaçadas de extinção no arquipélago. "Após
a aprovação do projeto, haverá a discussão para se definir um plano de manejo
que respeite o trabalho que já foi feito.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o projeto do parque
está em fase final de aprovação, mas não há previsão para ser colocado em
prática. As informações são do
jornal O Estado de S. Paulo.

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