A
chuva e o frio não foram motivos para atrapalhar um grupo de aproximadamente
200 pessoas, de acordo com a Polícia Militar, a participar na noite de ontem da
“Manifestação Acorda Caraguá”, que culminou com uma pressão aos vereadores no
plenário do Legislativo. O movimento começou por volta das 19h com saída da
Praça Tom Ferreira, em frente a pista de skate e seguiu em direção à Câmara.
Gritos
de “o dinheiro do meu pai não é capim, eu quero passe livre sim”, “boi, boi,
boi, boi da cara preta, se não der passe livre a gente pula a roleta” e “nossa
luta é forte, nós queremos mais transporte”.
Ao
longo do trajeto foi entregue um panfleto cobrando redução da passagem, passe
livre dos universitários, tarifa proporcional a distância de R$ 1,75 até R$
2,75, integração gratuita, cobradores nos ônibus, novas linhas e adequação da
catraca para menores de cinco anos. Os manifestantes ainda cantaram o hino
nacional.
A
moradora do bairro do Indaiá, Clara Barbosa Nogare, de 28 anos, disse que o
movimento foi em prol do transporte. “Não concordo com a isenção do ISS à
empresa. Queremos passe livre e a integração, principalmente aos estudantes”.
Diego
Godoy da Silva, 24 anos, estoquista do bairro Jardim Gaivotas, destacou que
além da questão do transporte, participa do protesto para lutar por melhor
saúde e educação.
Tensão
O
clima ficou tenso quando o grupo chegou à Câmara, interrompendo a votação da
Lei de Diretrizes Orçamentárias. Os gritos dos manifestantes acabaram por
sufocar a voz do secretário da Câmara, vereador Oswaldo Pimenta de Mello Neto
(PPS).
O
presidente da Casa, Jose Mendes de Souza Neto, o Neto Bota (PSDB), acabou
pedindo aos manifestantes que aguardassem o final da votação do projeto para
que ele pudesse ler o decreto de redução da tarifa enviado pela Prefeitura e o
projeto de lei que dá isenção de ISS a empresa.
De
acordo com o decreto, fica valendo a partir da zero hora de amanha a redução da
tarifa, passando dos atuais R$ 3 para R$ 2,80, porém pede a isenção da alíquota
do Imposto Sobre Serviços (ISS) à empresa.
O
documento traz ainda um sistema integrado que estabelece que o usuário, pode
utilizar novamente um ônibus num prazo de 90 minutos a partir da primeira
passagem paga, desembolso na segunda viagem apenas R$ 0,50.
Porém,
o anúncio feito pelo presidente da Câmara gerou protesto imediato dos manifestantes
que exigiram passe livre aos estudantes e tarifa a R$ 2,75.
A
partir daí, os ânimos se exaltaram e os manifestantes cobraram postura aos
vereadores, principalmente em relação a votação do projeto que prevê isenção de
ISS à empresa.
“Não
votem, ouçam antes a população. Queremos passe livre. Fora Praiamar”, gritou um
dos manifestantes.
Neto
Bota começou então a negociar com o grupo. “Esse projeto foi para as Comissões
e se o Jurídico da Casa entender que não dá para votar, isso será feito somente
em agosto”, garantiu o presidente.
Comissão
O
clima só acalmou depois que Neto Bota abriu novamente as portas do seu gabinete
para conversar com uma comissão, com o compromisso de que uma empresa será
contratada para analisar a atual situação do transporte na cidade. “Se for
necessário vamos exigir uma nova concessão”, disse Neto Bota. Por
aproximadamente meia hora, manifestantes e vereadores sentaram na mesa de
negociações.
Os
integrantes da Comissão de Assuntos Relevantes de Transportes da Câmara (CAR),
que é formada pelos vereadores Vilma Teixeira de Oliveira Santos (PSDB), Elizeu
Onofre da Silva, o Ceará da Adega (PPS), e Renato Leite Carrijo de Aguilar, o
Tato Aguilar (PSD), justificaram aos manifestantes o trabalho que vem sendo
feito de cobranças a empresa, com levantamento da situação do transporte.
“A
pesquisa vai nos ajudar a identificar os problemas e a insatisfação dos
usuários, sendo este um dos motivos que pode gerar a quebra de contrato,
previsto no termo de concessão”, garantiu o vereador Tato Aguilar.
Já
a presidente da Comissão, vereadora Vilma Teixeira de Oliveira Santos, alertou
a indisposição da empresa em fornecer informações solicitadas pela CAR.
“Diante
isso, propomos um plebiscito ou uma audiência publica para discutir o assunto”.
Ainda
durante a reunião no gabinete, Jameson Duarte, um dos lideres da manifestação,
destacou a necessidade do transporte para os estudantes do Instituto Federal de
São Paulo (IFSP) e foi informado pelo presidente Neto Bota que o prefeito
Antonio Carlos deve baixar ainda hoje decreto concedendo 50% de desconto no
valor da passagem.
A
liberação do transporte alternativo no município foi outro assunto que entrou
na pauta, mas deve ter novas discussões.
Um
dos vereadores mais inflamados na reunião foi
Celso Pereira (DEM). “Discutir transporte alternativo é válido, mas já
temos de forma ilegal e a prefeitura não fiscaliza. Precisamos de uma lei vinda
do Executivo. A gente quer que tenha cobrador nos ônibus, mas a empresa ganha
na Justiça. Sugiro uma reunião entre vereadores, comissão de manifestantes com
o prefeito e depois a empresa”.
Fonte:
Jornal Imprensa Livre - 26/06/2013
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