A futura unidade permitirá a
visitação controlada no arquipélago e a preservação das espécies endêmicas
A proposta de criação do Parque Nacional Marinho do
Arquipélago dos Alcatrazes, no litoral Norte do estado de São Paulo, acaba de
ser debatida na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da
Câmara dos Deputados, em Brasília. O conjunto de 13 ilhas, a 43 quilômetros da
costa de São Sebastião, é protegido parcialmente pelo Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio da Estação Ecológica
Tupinambás, que ocupa parte do arquipélago, e pela Marinha do Brasil.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) defende a criação do
parque pela importância estratégica e geográfica do arquipélago, habitat de
diversas espécies endêmicas (exclusivas do local), sem falar de sua beleza
cênica. Atualmente, as ações de proteção, preservação e recuperação, incluindo
educação ambiental e pesquisas científicas, são desenvolvidas em conjunto entre
ICMBio, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama) e Marinha do Brasil. A criação do parque permitirá a
visitação controlada no arquipélago, antiga demanda da população do litoral
Norte de São Paulo.
Kelen Leite, chefe da Estação Ecológica Tupinambás, diz que
a área proposta para a criação do parque faz limite com a Área de Proteção
Ambiental (APA) Marinha do Litoral Norte, gerida pelo Estado de São Paulo, o
que possibilita a formação de um mosaico de unidades de conservação de múltiplo
uso na região. A regulamentação das atividades antrópicas (produzidas pelo
homem) na APA servirá para minimizar o impacto sobre o arquipélago,
contribuindo para sua preservação.
Leite acrescentou, ainda, que a transformação do arquipélago
e seu entorno numa área protegida, sem pesca, o que deve ocorrer com a criação
do parque, “é muito importante porque, além de preservar a biodiversidade
marinha, permitirá o repovoamento das áreas vizinhas e garantirá a manutenção
dos estoques pesqueiros da região”.
Considerado um santuário ecológico, o Arquipélago de
Alcatrazes é hoje o maior berço de aves marinhas do sudeste brasileiro e abriga
espécies como a jararaca-de-alcatrazes (Bothrops alcatraz) e a
perereca-de-alcatrazes (Scinax alcatraz), espécies endêmicas da região. De 1980
até o início deste ano, o paredão de rochas da ilha principal foi usado como
raia de tiros em exercícios da Marinha do Brasil.
Segundo informações do site ICMBio, a Marinha nacional já
concordou em encerrar os treinamentos de tiro sobre a ilha principal, que
abriga diversas espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção.
"Foi a primeira vez que a Marinha assumiu publicamente
que deixaria de atirar em Alcatrazes (na ilha principal). Sem dúvida é um grande
avanço", ressaltou Kelen Leite. Ainda segundo o chefe da estação, a
Marinha já vinha adotando esse discurso desde o fim do ano passado, mas nunca
havia expressado essa posição publicamente. "Foi uma surpresa até para
nós, pois eles costumam ser muito reservados com relação a esse tipo de
afirmação", contou.
Terra da
Gente, com info MMA
Arquipélago de Alcatrazes. Foto: Divulgação
Arquipélago de Alcatrazes. Foto: Divulgação
Caraguablog/JFPr

0 comentários:
Postar um comentário