terça-feira, 25 de junho de 2013

Ministério defende criação do Parque de Alcatrazes

A futura unidade permitirá a visitação controlada no arquipélago e a preservação das espécies endêmicas
A proposta de criação do Parque Nacional Marinho do Arquipélago dos Alcatrazes, no litoral Norte do estado de São Paulo, acaba de ser debatida na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, em Brasília. O conjunto de 13 ilhas, a 43 quilômetros da costa de São Sebastião, é protegido parcialmente pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio da Estação Ecológica Tupinambás, que ocupa parte do arquipélago, e pela Marinha do Brasil.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) defende a criação do parque pela importância estratégica e geográfica do arquipélago, habitat de diversas espécies endêmicas (exclusivas do local), sem falar de sua beleza cênica. Atualmente, as ações de proteção, preservação e recuperação, incluindo educação ambiental e pesquisas científicas, são desenvolvidas em conjunto entre ICMBio, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Marinha do Brasil. A criação do parque permitirá a visitação controlada no arquipélago, antiga demanda da população do litoral Norte de São Paulo.

Kelen Leite, chefe da Estação Ecológica Tupinambás, diz que a área proposta para a criação do parque faz limite com a Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha do Litoral Norte, gerida pelo Estado de São Paulo, o que possibilita a formação de um mosaico de unidades de conservação de múltiplo uso na região. A regulamentação das atividades antrópicas (produzidas pelo homem) na APA servirá para minimizar o impacto sobre o arquipélago, contribuindo para sua preservação.
Leite acrescentou, ainda, que a transformação do arquipélago e seu entorno numa área protegida, sem pesca, o que deve ocorrer com a criação do parque, “é muito importante porque, além de preservar a biodiversidade marinha, permitirá o repovoamento das áreas vizinhas e garantirá a manutenção dos estoques pesqueiros da região”.
Considerado um santuário ecológico, o Arquipélago de Alcatrazes é hoje o maior berço de aves marinhas do sudeste brasileiro e abriga espécies como a jararaca-de-alcatrazes (Bothrops alcatraz) e a perereca-de-alcatrazes (Scinax alcatraz), espécies endêmicas da região. De 1980 até o início deste ano, o paredão de rochas da ilha principal foi usado como raia de tiros em exercícios da Marinha do Brasil.

Segundo informações do site ICMBio, a Marinha nacional já concordou em encerrar os treinamentos de tiro sobre a ilha principal, que abriga diversas espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção.

"Foi a primeira vez que a Marinha assumiu publicamente que deixaria de atirar em Alcatrazes (na ilha principal). Sem dúvida é um grande avanço", ressaltou Kelen Leite. Ainda segundo o chefe da estação, a Marinha já vinha adotando esse discurso desde o fim do ano passado, mas nunca havia expressado essa posição publicamente. "Foi uma surpresa até para nós, pois eles costumam ser muito reservados com relação a esse tipo de afirmação", contou.
Terra da Gente, com info MMA
Arquipélago de Alcatrazes. Foto: Divulgação
Caraguablog/JFPr

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