sábado, 10 de setembro de 2011

Câmara de Caraguá é palco de homenagem a vítima da ditadura militar

Foi publicado no jornal eletrônico do Correio do Brasil em 8 de setembro, às 14:31h, o texto abaixo, que por dizer respeito a Caraguatatuba e a um de seus personagens, que foi vítima da ditadura, entendemos oportuno reproduzir aqui no Caraguablog.

Homenagem ao Amigo Benetazzo
Por José Dirceu
Antônio Benetazzo - A Câmara Municipal de Caraguatatuba (SP) prestará amanhã [9 de setembro], às 18h, uma justa homenagem a um dos bravos resistentes contra a ditadura militar no nosso país. Refiro-me a Antônio Benetazzo, morto aos 31 anos, em outubro de 1972, nos porões do DOI/Codi-SP.

Benetazzo foi assassinado por lutar por um Brasil livre, justo e democrático. Um Brasil que o acolheu aos nove anos de idade, quando ele e sua família imigraram da Itália, após presenciarem os horrores do nazifacismo durante a II Guerra Mundial. Nascido em Verona, ele se criou em Caraguatatuba, onde seus pais se instalaram.

No ginásio, fundou o grêmio da escola estadual Thomaz Ribeiro de Lima. A homenagem de amanhã, inclusive, foi proposta pelo Grupo Memória Contada formado pela professora Rose Mary Teles Sousa e alunos da escola. Desde o ano passado, eles pesquisam e criam um dossiê sobre Benetazzo com o objetivo de tornar conhecida sua trajetória na resistência à Ditadura Militar.

Benetazzo detinha um carisma e uma inteligência ímpares
Apaixonado pelas artes, ele se destacou, ainda secundarista, nos quadros do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e tornou-se referência nos movimentos culturais e políticos, participando ativamente do Centro de Cultura Popular da UNE. Em São Paulo, Benetazzo ingressou nas faculdades de Arquitetura e Urbanismo e de Filosofia na Universidade de São Paulo (USP). Chegou, inclusive, a presidir o Centro Acadêmico da Filosofia, enquanto lecionava História para jovens vestibulandos.

Em 1967, Benetazzo ingressou na Aliança Libertadora Nacional (ALN) e dois anos após caiu, como muitos de nós, na clandestinidade. Foi a Cuba e tornou-se um quadro do Movimento da Libertação Popular, o MOLIPO. Ao voltar ao Brasil foi preso pelo DOI/CODI paulista em 28 de outubro de 1972. Guerreiro como poucos, Benetazzo sofreu as mais bárbaras torturas durante três dias seguidos e morreu. Uma nota oficial divulgada em 2 de novembro pelo departamento de segurança alegou falsamente como causa de sua morte um atropelamento por um caminhão após tentativa de fuga.

A versão foi desmascarada por vários testemunhos de presos políticos que também estiveram nas dependências do DOI-Codi/SP. Após sua morte, Benetazzo foi enterrado como indigente e seu corpo removido do Cemitério de Perus, após ser identificado. A homenagem de amanhã é mais do que justa e fundamental para que as novas gerações saibam da luta de Benetazzo. Ele completaria 70 anos se estivesse hoje entre nós. De muitas formas, ele está.

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