Por Mauro Santayana, em seu blog
A vocação
para submissão de parcelas do Judiciário e da área de segurança brasileiras às
autoridades norte-americanas é impressionante.
Como exemplo,
temos a “colaboração” prestada pelo Ministério Público e pela Operação
Lava-a-jato a procuradores norte-americanos que estão recolhendo provas contra
a Petrobras e oferecendo acordos de delação premiada a presos brasileiros
submetendo-se colonizada, e alegremente - nas barbas do Ministério da Justiça –
às autoridades de um país estrangeiro, como se elas tivessem jurisdição em
território nacional, em uma causa que envolve uma empresa de controle estatal
que pertence não apenas aos seus “investidores” diretos, mas a todos os
cidadãos brasileiros.
Depois, temos a
romaria de procuradores e juízes aos EUA, para receber “homenagens”
relacionadas a assuntos internos nacionais, e a recente presença de ministros
da Suprema Corte em reuniões do "Diálogo Interamericano" - uma
espécie de "Foro de São Paulo" às avessas - nos EUA. Já imaginaram um
procurador norte-americano se deslocando para o Brasil para ser premiado por
sua atuação, na investigação, digamos, de corrupção na General Motors, ou na
AMTRAK, uma das maiores empresas estatais dos EUA - tradicionalmente
deficitária - com mais de 20.000 funcionários, e presente nos 48 estados da
Federação?
Como se não
bastasse, agora, chega a vez do Rio de Janeiro tomar a iniciativa de anunciar a
próxima abertura de um escritório da agência norte-americana de controle de
drogas no Estado, a pretexto de prestar, às autoridades fluminenses,
"consultoria" no combate ao tráfico e ao contrabando de armas.
Perguntar não
ofende.
Considerando-se
que as áreas de defesa e de relações internacionais são prerrogativa da União,
e o fato de a agência norte-americana ser federal e não estadual, não seria o
caso de esses convênios e acordos passarem antes pelo crivo e aprovação do
Itamaraty, do Ministério da Defesa, do Ministério da Justiça e da Comissão de
Defesa e Relações Externas da Câmara dos Deputados?
Quando é que o
Brasil vai começar a impedir ou a controlar as atividades de agentes
norte-americanos de inteligência - espiões, leia-se, porque de outra coisa não
se trata - em nosso território?
Essas áreas, tão
solícitas em implorar o prestimoso “auxílio” norte-americano, e em aparecer nos
Estados Unidos em eventos mais "sociais" do que outra coisa, já
ouviram ou conhecem o significado do termo reciprocidade, aplicado à relação
entre estados soberanos?
Já se imaginou a
Polícia Federal brasileira abrindo um escritório nos EUA, para prestar
"consultoria" à polícia nova-iorquina no combate ao tráfico de armas?
Isso nunca
ocorreria, pelo simples fato de que a população, a imprensa, o Judiciário e o
Congresso dos EUA não o aceitariam, porque, ao menos nesse aspecto, eles têm
vergonha na cara.
Vergonha, em
nosso lugar, com esse tipo de atitude, não é outra coisa que países
latino-americanos - com exceção do México, cada vez mais um estado
norte-americano - vão sentir ao saber dessa notícia.
Vergonha, em
nosso lugar e não outro sentimento, é o que vão ter nossos parceiros do BRICS,
ao saber dessa notícia, já que todo o mundo sabe como os EUA agem: primeiro
abrem um escritório em uma determinada área, depois um monte de escritórios de
"cooperação" em várias outras áreas, e, depois, dificilmente dão o
fora, sem criar problemas, a não ser que sejam derrotados e escorraçados, como
ocorreu ao fim da guerra do Vietnam.
Ou alguém aqui
imagina a Rússia, a Índia e a China convidando a polícia e os órgãos de
inteligência norte-americanos a instalar escritórios e operar em seus
respectivos territórios?
Não.
Eles não fazem
isso, assim como não admitem que imbecis, em seus comentários de internet, em
portais russos, indianos ou chineses, preguem a entrega de suas empresas ou de
seu país aos EUA, ou encaminhem petições de intervenção à Casa Branca, como
comumente ocorre, nestes tempos vergonhosos que vivemos, em portais e sites
brasileiros.
Talvez por isso,
a Rússia, a China e a Índia, sejam potências espaciais, militares e atômicas,
enquanto nós estamos nos transformando, cada vez mais, em um ridículo simulacro
de província norte-americana, apesar de sermos, com mais de 250 bilhões de
dólares emprestados, o terceiro maior credor individual externo dos EUA.
Em tempo: em sua
comunicação com a imprensa, o governo do Rio de Janeiro conclui dizendo que não
pode dizer quando vai começar a operar o escritório norte-americano em
território fluminense.
O anúncio oficial
da instalação não será feito por nenhuma autoridade brasileira.
Ele será feito –
incrível e absurdamente - como se estivesse ocorrendo em território
norte-americano, pelo próprio governo dos EUA.
Nessa toada,
conviria começar a pensar, com urgência, na realização de um plebiscito para a
entrega do Brasil aos Estados Unidos.
Com isso, os
bajuladores poderiam exercer seu amor aos gringos sem precisar de visto, ou de
se deslocar para Miami ou Nova Iorque.
Aprenderíamos o
inglês como primeira língua, sem necessidade de pagar as mensalidades do curso
de idiomas.
E todos nós
receberíamos em dólares, trabalhando e descansando quando Deus nos permitisse,
já que nos EUA não existe sequer a obrigação de pagar férias remuneradas, por
exemplo.
A questão é
saber, se, juntamente com as riquezas e o território brasileiros, os EUA, tão
ciosos de sua nacionalidade, aceitariam receber, sob sua bandeira, a
"estirpe" de invertebrados morais, hipócritas, entreguistas,
submissos e antipatrióticos em que estamos nos transformando."
FONTE: escrito
por Mauro Santayana, em seu blog , Transcrito no "Blog do Miro"
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