A discussão e votação do plano diretor de Caraguatatuba aconteceram na sessão ordinária da Câmara Municipal ocorrida ontem, terça-feira. O projeto de lei complementar nº 07/11, de iniciativa do Poder Executivo, foi aprovado em turno único, juntamente com as cerca de cinqüenta emendas apresentadas pelos vereadores.O projeto foi votado depois de uma longa tramitação na prefeitura municipal, com a realização neste ano de quatro audiências públicas, que contaram com a participação maciça de diversos segmentos da sociedade local, além de mais de cinco dezenas de reuniões técnicas
Na fase legislativa, isto é, após ter sido o projeto enviado pela prefeitura à Câmara Municipal, aconteceram também audiências públicas, mas a participação popular não foi tão intensa quanto a ocorrida na prefeitura.
Segundo informado pelo blog do João Lúcio, houve uma tentativa da promotoria pública local de barrar a votação do projeto, porém a liminar pretendida foi negada pelo juiz da Comarca, o que permitiu que a votação da matéria ocorresse normalmente na sessão ordinária de ontem.
O projeto agora segue para o prefeito Antonio Carlos sancionar, promulgar e publicar a lei complementar respectiva. Ele terá quinze dias para isso. Mas poderá também vetar o projeto total ou parcialmente, conforme lhe é facultado pela Lei Orgânica de Caraguá.
O veto do prefeito poderá também recair somente sobre as emendas dos vereadores. Neste caso, a parte vetada do projeto tornará à Câmara para uma reavaliação legislativa. Se os vereadores derrubarem o veto, o presidente da Câmara, Wilson Gobetti, irá promulgar os textos mantidos. É preciso seis votos para derrubar a negativa de promulgação do prefeito.
Caso eventual veto do prefeito seja mantido, aí ocorrerá uma situação curiosa. Como a lei complementar que institui o plano diretor não poderá ser emendada pelo prazo de dez anos, prováveis buracos decorrentes da manutenção de veto irão ficar por isso mesmo, atrapalhando a aplicação final da lei e ensejando a necessidade de interpretações jurídicas para dar um sentido lógico às lacunas textuais.
É bem possível que novas tentativas judiciais sejam intentadas para obstacular a aprovação ocorrida ontem. A queixa, que era de falta de participação popular, agora pode ser engrossada com a pressa com que cinco dezenas de emendas foram aprovadas. Emendas, que mudam a natureza jurídica do projeto e para as quais o povo não foi chamado a opinar em audiências públicas, conforme determina a lei.
0 comentários:
Postar um comentário