Recebemos o texto abaixo, via e-mail, em
julho deste ano. Agora, repassando as matérias do blog que pudessem ser
publicadas, decidimos trazê-lo a público e à intepretação do Leitor. Não
entendemos muito bem o seu conteúdo à época, talvez nem agora, parecendo algum sonho, até delírio,
quem sabe uma premonição. De qualquer forma, parece-nos muito
interessante, sombrio, sinistro, cabendo ao leitor julgá-lo.
Em algum lugar...
Em algum lugar, em uma floresta, apareceu
uma árvore que se tornou dominante e transformou o lugar onde vivia. Embaixo de
seus longos galhos e folhas, como impediam a entrada da luz do sol, nada
crescia, nada florescia.
Diziam, alguns empirescos cidadãos, que a tal árvore crescia
muito por dois motivos: os nativos não tinham conhecimento do poder da exótica
árvore; ela crescia porque o local era
privilegiado, com muita água pura e sais minerais, tudo o que de bom existia;
para muitos, valores que somente poderiam se comparar ao ouro.
A árvore era muito admirada e reinava
imperiosa, sem que qualquer outra muda, endêmica ou mesmo exótica, se atrevesse
a lhe “fazer sombra”, pois não conseguia atingir a luz do sol, que era tapada
pela grande copada que a árvore tinha.
Essa situação perdurou por longos anos até
que, por força de providência legal ou divina, a árvore se viu obrigada a se
deslocar, pois seu peso era tanto que a lei da gravidade a obrigou a se
inclinar e olhar as outras mudas, talvez para escolher uma que pudesse
substituí-la, dando espaço para que a luz do sol penetrasse e atingisse as
pequenas, nanicas e sedentas de provar do mesmo mel. Queriam crescer.
Por ser exótica e praticar ações diferentes
das que por aqui se praticavam, os moradores tinham medo de que as mudas
nativas adquirissem seus hábitos e viessem a praticar as mesmas ações após
crescerem.
De certa forma, era com grande preocupação
que a população (não confundir população com mudas que queriam crescer) aguardava
o desenrolar desta história, já que onde esta árvore vivia sofria tamanha
transformação que não se sabia quanto tempo seria necessário para devolver ao
local sua verdadeira identidade, inclusive não se sabia se a população, antes
calma e tranquila, poderia recuperar seu “in statu quo ante bellum” e voltar a
ser normal, como era antes da “guerra”.
Existia também a preocupação de que a
árvore, muito esperta, desse continuidade ao seu reinado por intermédio de uma
muda qualquer que, antes pequena, pudesse reunir possibilidades ao ser
estercada, enxertada e preparada para dar continuidade ao pseudo progresso que
por lá pairava.
Diziam alguns que a dita árvore não queria
mais saber de reinar, pois já reinara bastante e agora somente queria colher
seus frutos muito bem plantados e criados.
Diziam também que o acontecido era apenas o
começo, e que de agora em diante é que a arvorezona deveria reinar, apenas
coordenando mudas que sempre viveram sob sua tutela.
Diziam que a arvorezona precisaria dos
serviços das mudas que viessem a ocupar o seu lugar. Alguns até indagavam se
árvore, ao se tornar absoluta, não teria cometido algum crime ambiental.
Diziam coisas e mais coisas. Diziam. E
diziam muito. Diziam tudo isso, a respeito de um lugar qualquer, onde havia uma
arvorezona...
Oduvaldo
Jorge de Siqueira
Por e-mail

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