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sábado, 19 de dezembro de 2015

A grande árvore: presságio ou delírio?

Recebemos o texto abaixo, via e-mail, em julho deste ano. Agora, repassando as matérias do blog que pudessem ser publicadas, decidimos trazê-lo a público e à intepretação do Leitor. Não entendemos muito bem o seu conteúdo à época, talvez nem agora, parecendo algum sonho, até delírio, quem sabe uma premonição. De qualquer forma, parece-nos muito interessante, sombrio, sinistro, cabendo ao leitor julgá-lo.  

Em algum lugar...

Em algum lugar, em uma floresta, apareceu uma árvore que se tornou dominante e transformou o lugar onde vivia. Embaixo de seus longos galhos e folhas, como impediam a entrada da luz do sol, nada crescia, nada florescia.

Diziam, alguns empirescos cidadãos, que a tal árvore crescia muito por dois motivos: os nativos não tinham conhecimento do poder da exótica árvore;  ela crescia porque o local era privilegiado, com muita água pura e sais minerais, tudo o que de bom existia; para muitos, valores que somente poderiam se comparar ao ouro.

A árvore era muito admirada e reinava imperiosa, sem que qualquer outra muda, endêmica ou mesmo exótica, se atrevesse a lhe “fazer sombra”, pois não conseguia atingir a luz do sol, que era tapada pela grande copada que a árvore tinha.

Essa situação perdurou por longos anos até que, por força de providência legal ou divina, a árvore se viu obrigada a se deslocar, pois seu peso era tanto que a lei da gravidade a obrigou a se inclinar e olhar as outras mudas, talvez para escolher uma que pudesse substituí-la, dando espaço para que a luz do sol penetrasse e atingisse as pequenas, nanicas e sedentas de provar do mesmo mel. Queriam crescer.

Por ser exótica e praticar ações diferentes das que por aqui se praticavam, os moradores tinham medo de que as mudas nativas adquirissem seus hábitos e viessem a praticar as mesmas ações após crescerem.

De certa forma, era com grande preocupação que a população (não confundir população com mudas que queriam crescer) aguardava o desenrolar desta história, já que onde esta árvore vivia sofria tamanha transformação que não se sabia quanto tempo seria necessário para devolver ao local sua verdadeira identidade, inclusive não se sabia se a população, antes calma e tranquila, poderia recuperar seu “in statu quo ante bellum” e voltar a ser normal, como era antes da “guerra”.

Existia também a preocupação de que a árvore, muito esperta, desse continuidade ao seu reinado por intermédio de uma muda qualquer que, antes pequena, pudesse reunir possibilidades ao ser estercada, enxertada e preparada para dar continuidade ao pseudo progresso que por lá pairava.

Diziam alguns que a dita árvore não queria mais saber de reinar, pois já reinara bastante e agora somente queria colher seus frutos muito bem plantados e criados.

Diziam também que o acontecido era apenas o começo, e que de agora em diante é que a arvorezona deveria reinar, apenas coordenando mudas que sempre viveram sob sua tutela.

Diziam que a arvorezona precisaria dos serviços das mudas que viessem a ocupar o seu lugar. Alguns até indagavam se árvore, ao se tornar absoluta, não teria cometido algum crime ambiental.

Diziam coisas e mais coisas. Diziam. E diziam muito. Diziam tudo isso, a respeito de um lugar qualquer, onde havia uma arvorezona...

Oduvaldo Jorge de Siqueira

Por e-mail

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