Cristiane Lopes
A reportagem do Imprensa Livre ouviu os secretários de Meio
Ambiente de São Sebastião a respeito da notícia da liberação de verba para a
criação dos planos de manejos e da expectativa em torno da participação da
comunidades e órgãos públicos locais no processo e também dos objetivos a serem
alcançados com a criação deste plano.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Hipólito,
de São Sebastião, considera que, além da criação do plano de manejo em si, “é
importante que o Estado crie condições para que ele sobreviva. O que temos
visto é uma deterioração do ambiente marítimo, com pescas de arrasto que
degradam o estoque pesqueiro, cujas embarcações descartam espécies sem valor
comercial no mar, sem qualquer tipo de fiscalização. Na APA, só existe fiscalização
no papel. Não adianta ter plano de manejo e não ter mais peixes para proteger”.
“A Polícia Ambiental não tem efetivo suficiente para trabalhar em terra, quiçá
no mar”.
Hipólito citou o projeto Bijupirá, desenvolvido pela
prefeitura sebastianense no Balneário dos Trabalhadores (Praia Grande), na
região central da cidade, com o objetivo de diversificar a atividade pesqueira
na cidade. O bijupirá é um peixe nativo presente na costa brasileira apreciado
pelo sabor e textura da sua carne. Ele apresenta características importantes
para a viabilidade de cultivo como crescimento acelerado, podendo chegar a 6 kg
em um ano, e excelente conversão alimentar. A reprodução e o desenvolvimento de
alevinos são integralmente feitas de forma natural sem uso de hormônios ou
aditivos químicos.
Em Caraguatatuba, o secretário da pasta de Meio Ambiente,
Marcos Couto, acredita que “o Plano de Manejo dará sustentação necessária para
os elementos técnicos e científicos de gestão adequada das Apas Marinhas. A
perspectiva de desenvolvimento é a exploração sustentável dos recursos naturais
com preservação ambiental”.
O secretário de Meio Ambiente de Ubatuba, Juan Balnco Prada,
declarou que soube da liberação da verba para a implantação dos planos de
manejos das APAs marinhas por meio do Imprensa Livre. “Meu principal receio é
que a preocupação em atender a prazos seja maior do que com a qualidade deste
plano de manejo. O Estado teve quase cinco anos para fazer este plano e agora o
querem fazer a toque de caixa. Isso nos deixa ressabiados, mesmo porque, até o
momento, não fomos consultados”.
Em Ilhabela, o anúncio foi bem recebido pelo secretário de
Meio Ambiente Edvaldo Anízio da Silva, mas com uma ressalva: se a opinião da
comunidade diretamente envolvida for considerada na prática. Outro fator
essencial apontado por ele para o sucesso de um plano de manejo é a integração
do Plano de Gerenciamento Costeiro com as próprias ações da APA. “Se houver um
empenho dos órgãos envolvidos com o turismo, existe uma grande possibilidade
destas ações da APA trazerem um desenvolvimento de forma sustentável, por meio
das atividades de recreação na natureza como, por exemplo, o mergulho e
passeios em embarcações turísticas”, explicou o secretário.
Fonte
imprensa livre

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