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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Sim, Caraguá tem um ponto de encontro...

O texto abaixo foi publicado por José Benedito Gonçalves Pinto, o Zezinho Prequeté, em sua coluna na Revista da Cidade/Caraguá, editada pelo jornalista Roberto Vieira Espíndola. Por dizer respeito a um estado de reflexão e principalmente a um ponto de encontro de Caraguá, entendemos deva ser do conhecimento dos leitores do Caraguablog.

Píer do Camaroeiro
Como caiçara de Caraguá, amo cada centímetro deste abençoado torrão, do Perequê-Mirim ao Tabatinga. Mas não é menor meu amor pelos demais municípios irmanados que formam o Litoral Norte Paulista.

Basta ser caiçara de nascença ou adoção para entender o que digo e comigo compartilhar da imensa alegria de morar nesta cidade, vendo-a paulatinamente desenvolver-se e oferecer melhores condições de vida aos nossos concidadãos.

Quando falo de minha terra, não posso deixar de referir-me a um local agradável, concebido não faz muito tempo, onde pessoas se encontram para vivenciarem horas inesquecíveis, sentir os fluidos positivos da natureza, desfrutar de merecidos descanso e lazer, e ainda saborear descontraídos bate-papos com conhecidos ou desconhecidos, mas pessoas especiais, que irradiam grande calor humano.

O local é um bálsamo para tristezas e um poderoso desestressante para os dissabores que nos cercam e por vezes emperram o nosso crescimento espiritual íntimo.

Falo do píer do Camaroeiro, que fica ali na costeira, perto da Pedra da Freira, aquele colosso granítico que simula uma freira orando ao mar, que tanto tem inspirado corações poéticos e atraído a atenção de pessoas sensíveis ou em constante busca de um significado para a vida.

É no píer do Camaroeiro onde as pessoas se encontram e se fundem com os mistérios do mar e se integram à paisagem única que se descortina à frente, tendo ao fundo a belíssima Ilhabela e, às costas, o verde profundo e majestoso da Serra do Mar. São os borrões artísticos concebidos pelo Criador a que se refere o poeta caiçara José Lopes de Aquino, em momento de rara inspiração.

Não se veem as horas passarem quando se está no píer. Uma pequena vara de pescar, algumas iscas e samburá – eis a fórmula mágica de se conectar ao Divino. O devaneio só se interrompe quando alguma cocoroca ou obeba puxa a linha e nós a trazemos para cima, depositando-a no balaio, junto às demais, fazendo-nos lembrar do Cristo e sua lição aos seguidores, de como lançar redes e garantir farta pescaria.

Quem não deseja meditar um pouco, pode juntar-se ao bate-papo que não raro segue animado, ora em cochichos, ora não, numa alegria que a todos contagia. Não se pode afirmar que tudo que se diz nesses momentos sejam verdades ou quase-verdades – afinal, os que contam suas façanhas, suas histórias, são também pescadores. São histórias engraçadas; melancólicas algumas, outras nos deixam perplexos e sem respostas.

Aquele cais deu tão certo que é comum verem-se ali pessoas disputando um espaço qualquer para lançar suas linhas. O desejável é que a prefeitura aproveitasse o projeto de transposição turística da costeira, que começa naquele ponto, para também ampliar a área útil do píer, estendendo um pouco mais mar adentro e dotando-o de estrutura em “L”.

Com toda certeza, o que já era bom ficará ainda melhor. E o Tião Izidoro, pescador já falecido e de memória cultuada pelos seus feitos em vida, e que lhe empresta o nome, por certo aprovaria e abençoaria a obra. Dessa forma, o empreendimento turístico a ser feito, permitindo um passeio contemplativo pela costeira, daquele ponto até a Prainha, estaria completo e preenchendo o vazio das pessoas.

Zezinho Prequeté
Presidente da Câmara em 83/84, contador, ex-Professor, ex-Vereador, caiçara da Fazenda dos Ingleses  e atual Diretor da Câmara Municipal de Caraguatatuba-SP

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