O
texto abaixo foi publicado por José
Benedito Gonçalves Pinto, o Zezinho Prequeté, em sua coluna na Revista da Cidade/Caraguá, editada pelo
jornalista Roberto Vieira Espíndola.
Por dizer respeito a um estado de reflexão e principalmente a um ponto de
encontro de Caraguá, entendemos deva ser do conhecimento dos
leitores do Caraguablog.
Píer do
Camaroeiro
Como
caiçara de Caraguá, amo cada centímetro deste abençoado torrão, do
Perequê-Mirim ao Tabatinga. Mas não é menor meu amor pelos demais municípios
irmanados que formam o Litoral Norte Paulista.
Basta
ser caiçara de nascença ou adoção para entender o que digo e comigo
compartilhar da imensa alegria de morar nesta cidade, vendo-a paulatinamente
desenvolver-se e oferecer melhores condições de vida aos nossos concidadãos.
Quando
falo de minha terra, não posso deixar de referir-me a um local agradável,
concebido não faz muito tempo, onde pessoas se encontram para vivenciarem horas
inesquecíveis, sentir os fluidos positivos da natureza, desfrutar de merecidos
descanso e lazer, e ainda saborear descontraídos bate-papos com conhecidos ou
desconhecidos, mas pessoas especiais, que irradiam grande calor humano.
O
local é um bálsamo para tristezas e um poderoso desestressante para os
dissabores que nos cercam e por vezes emperram o nosso crescimento espiritual
íntimo.
Falo
do píer do Camaroeiro, que fica ali na costeira, perto da Pedra da Freira,
aquele colosso granítico que simula uma freira orando ao mar, que tanto tem
inspirado corações poéticos e atraído a atenção de pessoas sensíveis ou em
constante busca de um significado para a vida.
É
no píer do Camaroeiro onde as pessoas se encontram e se fundem com os mistérios
do mar e se integram à paisagem única que se descortina à frente, tendo ao
fundo a belíssima Ilhabela e, às costas, o verde profundo e majestoso da Serra
do Mar. São os borrões artísticos concebidos pelo Criador a que se refere o poeta
caiçara José Lopes de Aquino, em momento de rara inspiração.
Não
se veem as horas passarem quando se está no píer. Uma pequena vara de pescar,
algumas iscas e samburá – eis a fórmula mágica de se conectar ao Divino. O
devaneio só se interrompe quando alguma cocoroca ou obeba puxa a linha e nós a
trazemos para cima, depositando-a no balaio, junto às demais, fazendo-nos
lembrar do Cristo e sua lição aos seguidores, de como lançar redes e garantir
farta pescaria.
Quem
não deseja meditar um pouco, pode juntar-se ao bate-papo que não raro segue
animado, ora em cochichos, ora não, numa alegria que a todos contagia. Não se
pode afirmar que tudo que se diz nesses momentos sejam verdades ou
quase-verdades – afinal, os que contam suas façanhas, suas histórias, são
também pescadores. São histórias engraçadas; melancólicas algumas, outras nos
deixam perplexos e sem respostas.
Aquele
cais deu tão certo que é comum verem-se ali pessoas disputando um espaço
qualquer para lançar suas linhas. O desejável é que a prefeitura aproveitasse o
projeto de transposição turística da costeira, que começa naquele ponto, para
também ampliar a área útil do píer, estendendo um pouco mais mar adentro e
dotando-o de estrutura em “L”.
Com
toda certeza, o que já era bom ficará ainda melhor. E o Tião Izidoro, pescador
já falecido e de memória cultuada pelos seus feitos em vida, e que lhe empresta
o nome, por certo aprovaria e abençoaria a obra. Dessa forma, o empreendimento
turístico a ser feito, permitindo um passeio contemplativo pela costeira,
daquele ponto até a Prainha, estaria completo e preenchendo o vazio das pessoas.
Zezinho Prequeté
Presidente da
Câmara em 83/84, contador, ex-Professor, ex-Vereador, caiçara da Fazenda dos
Ingleses e atual Diretor da Câmara
Municipal de Caraguatatuba-SP
Nenhum comentário:
Postar um comentário