O ex-chefe
de RH da Câmara de Ilhabela, Thiago dos Santos Souza, prestou depoimento à
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) nesta terça-feira (6/10) e afirmou aos
vereadores que todas as suas ações eram supervisionadas pela procuradoria
jurídica e pela diretoria financeira da Casa.
Segundo o
depoente, a admissão via contrato emergencial foi realizada com a supervisão do
procurador jurídico da época, que teria inclusive redigido os
contratos. Thiago informou que os funcionários prestaram serviços na casa
por cinco meses a mais do que o previsto no contrato inicial (seis meses),
porque havia entendimento do jurídico de que a prestação dos serviços poderia
ser estendida desde que no período subsequente houvesse a realização de
concurso público. O ex-chefe de RH disse também que a seleção dos funcionários
foi feita por ele mesmo após análise de currículos.
Ainda
conforme informações relatadas por Thiago à CPI, o motorista contratado fazia
muitas horas extras porque durante um período era o único profissional
disponível na Casa, uma vez que os outros dois motoristas estavam afastados por
problemas de saúde. Segundo o ex-funcionário, o motorista teve um aumento da
ordem de 34% em seu salário para equiparar os vencimentos com os demais
motoristas da Câmara e o segundo reajuste questionado pelos vereadores, da
ordem de 13%, seria a reposição salarial concedida anualmente no mês de março
para todos os funcionários.
O ex-chefe
de RH disse ainda que o pagamento das horas extras era feito de acordo com o
espelho do cartão de ponto, além de relatório elaborado pelo motorista e
assinado pelo vereador solicitante do carro. “Eu tinha um advogado à minha
disposição oito horas por dia, nunca fazia nada sem falar com ele ou com o
diretor financeiro, que revisava a folha e autorizava o pagamento”, afirmou
Thiago, relatando também que não repassava essas informações ao então
presidente, vereador Carlos Alberto, Carlinhos (PMDB).
A Comissão
Parlamentar de Inquérito foi criada para investigar apontamentos do Tribunal de
Contas do Estado referentes à admissão de pessoal por tempo determinado no
exercício de 2011 sem realização de Processo Seletivo Simplificado. O TCE
julgou irregular a contratação, a ausência de edital de concurso ou processo
seletivo, não demonstração de caráter emergencial e contratação por cargos de
natureza permanente (dois
funcionários para o setor de serviços gerais e um motorista).
Em sua
defesa à época, o vereador Carlinhos alegou que não houve dolo, tampouco má fé
e que assim que o TCE apontou a irregularidade, os funcionários foram demitidos
e o concurso público realizado.
A CPI já
ouviu a diretora administrativa da época, Vera Lúcia Cabral e o procurador
jurídico, Roberto Clemente, o diretor financeiro da Câmara, José Marcos da
Silva e o ex-chefe de RH, Thiago Souza. Na próxima semana, os parlamentares
devem ouvir o vereador Carlos Alberto de Oliveira Pinto, Carlinhos, presidente
à época dos fatos.
A Comissão
Parlamentar de Inquérito é formada pela vereadora Gracinha Ferreira (PSD), como
presidente, além dos Benedita Gonzaga, Profª Dita (PTB), Rita Janete, Drª Rita
(PTdoB), Sampaio Junior (PROS) e Thiago Santos, Dr Thiago (SD), como relator.
Nenhum comentário:
Postar um comentário